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Especialistas do BFA mantêm pessimismo e acreditam em mais uma aceleração da inflação homóloga em Março

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O Gabinete de Estudos Económicos do Banco de Fomento Angola (BFA) assinalou, nesta terça-feira, 26, através da sua já habitual nota informativa, a sua descrença no declínio dos preços em Angola, acreditando mais numa aceleração da taxa de inflação homóloga já neste mês.

“No nosso ponto de vista, acreditamos que a inflação poderá acelerar novamente em Março, e crescer cada vez menos a partir do terceiro trimestre. Ainda assim, não descartamos a nossa previsão para o final do ano, em torno dos 24%”, escreveram os especialistas do banco comercial.

Na última reunião do Comité de Política Monetária (CPM), realizada nos dias 14 e 15 de Março, pressionado pela inflação, o Banco Nacional de Angola (BNA) decidiu alterar os principais instrumentos de condução da política monetária.

Na ocasião, aquele órgão do banco central decidiu subir a Taxa Básica de Juros para 19%, a de Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez (FPCL) para 19,5% e a de Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez para 18,5%, enquanto o coeficiente das reservas obrigatórias em moeda nacional permaneceu nos 20%.

A inflação homóloga de Fevereiro fixou-se nos 24,1%, registando o décimo mês consecutivo de aumentos. De acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a inflação mensal situou-se nos 2,58%, perto dos máximos de Setembro 2018.

As classes com as variações mais significativas foram a da ‘Alimentação e Bebidas não Alcoólicas’, com 3,1%; ‘Saúde’, com 3,1%; e ‘Bens e Serviços Diversos’, com 2,9%. Em sentido contrário, as classes da ‘Educação’, ‘Transportes’ e ‘Comunicações’ tiveram as menores variações com 0,0%, 0,4% e 0,8%, respectivamente.

Na nota informativa enviada à redacção deste portal de notícias, o BFA realça que as opções de política monetária do BNA dependerão sempre do desempenho da inflação, e esta deverá começar a desacelerar a partir da segunda metade do ano, resultado da estabilidade da moeda nacional face às principais moedas estrangeiras, tal como um impacto cada vez mais reduzido da inflação importada, visto que os níveis de inflação global estão a reduzir.

Segundo aqueles especialistas, com a contínua gestão da política monetária por parte do BNA, e o reforço da presença do Tesouro no mercado cambial, é bem provável que o banco central consiga retrair minimamente essa tendência inflacionária.

Entretanto, reconhecem “que a meta de se atingir uma inflação nos 19% até ao final deste ano parece-lhes uma tarefa muito difícil de se conseguir”.

“Assim, na nossa perspectiva, fará sentido uma atenção redobrada aos prazos de vencimento de títulos durante este ano, e para o seu efeito na liquidez. Estes montantes têm impactado de modo significativo a liquidez e, desse modo, as taxas de juro em vigor no mercado monetário. Será assim necessária uma coordenação e comunicação mais vigorosa entre a gestão de política monetária por parte do BNA e a gestão de tesouraria e dívida por parte do Tesouro”, concluem.

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