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Moco ‘sai da toca’ e endossa candidatura da UNITA com declaração de apoio a ACJ e à FPU

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O ex-primeiro-ministro angolano e antigo secretário-geral do MPLA Marcolino Moco foi, nesta terça-feira, 16, a grande surpresa do do espaço de antena reservado ao partido UNITA na Televisão Pública de Angola (TPA), ao fazer uma declaração de apoio oficial à candidatura de Adalberto Costa Júnior e contra aquilo que chamou de “carácter unilateral do funcionamento do Estado”.

“Desta vez estão perante uma grande oportunidade, até porque Adalberto Costa Júnior promete pôr de lado a caça às bruxas. Pelo contrário, [pretende] reunir o país, com tudo que tem de bom e de menos bom para começarmos um novo dia. Daí esta minha declaração a favor, muito forte, do projecto de Adalberto Costa Júnior, da UNITA/FPU [frente Patriótica Unida]; que é um projecto nacional e vai-nos dar uma grande oportunidade de mudar as coisas que têm andado muito mal desde 1975, por causa do carácter unilateral do funcionamento do Estado”, afirmou Marcolino Moco.

Para o antigo n.º 2 do MPLA, o país atravessa “um momento muito especial… perante uma excelente oportunidade de mudança de vida”.

O antigo primeiro-ministro entende que os angolanos têm em mãos uma grande oportunidade para se criar “um Estado que seja de inclusão de todos”, pelo que vê no líder da UNITA qualidades que vão de encontro com um posicionamento que vem defendendo ao longo das últimas duas décadas enquanto outsider da política activa.

“Adalberto vai muito bem, porque apresenta um projecto de práxis constitucional, que coincide perfeitamente com aquele que eu tenho defendido, e uma prática constitucional. [É] que não basta ter Constituição, é preciso ter uma prática constitucional em que o Estado é inclusivo, em que as pessoas não valham pelo cartão de têm”, caracterizou.

Não é a primeira vez que Moco se posiciona contra o seu partido. Nos últimos meses, ex-primeiro-ministro angolano teceu duras críticas à governação de João Lourenço, chegando mesmo a afirmar que “se houver transparência eleitoral”, haverá alternância de poder em Angola”.

Moco tem, vezes sem conta, acusado o MPLA de não cumprir as promessas eleitorais, defendendo, por outro lado, um “pacto de estabilidade”.

O também jurista e escritor, que não exerce cargos políticos há duas décadas, disse, por exemplo, recentemente, em entrevista exclusiva à DW África, que é “visível” a força da oposição, porque o MPLA não cumpriu várias promessas eleitorais feitas nas eleições de 2017, e que actual Presidente do país, João Lourenço, “gosta de ser aplaudido por incompetentes e inexperientes”.

Em relação às próximas eleições, o governante chegou a defender o referido “pacto de estabilidade, para se evitar problemas maiores em Angola depois do escrutínio de Agosto”.

Marcolino José Carlos Moco é político fora da prática política activa há duas décadas, tendo sido primeiro-ministro de 2 de Dezembro de 1992 a 3 de Junho de 1996, e também secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) de 1996 a 2000, além de ter sido também o n.º 2 do MPLA, isto é, secretário-geral do partido que sustenta o governo em Angola desde 1975.

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