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Ruanda nega acusações da RDC de ter apoiado rebelião

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As autoridades do Ruanda negaram nesta terça-feira, 29, as acusações do exército da República Democrática do Congo (RDC) de que militares ruandeses apoiaram um ataque no leste do país no domingo.

Na noite de domingo para segunda-feira, o M23 (Movimento do 23 de Março), “apoiado pelas Forças de Defesa do Ruanda (RDF), realizou incursões e atacou as posições das FARDC (Forças Armadas Congolesas) de Tchanzu e Runyoni, no território de Rutshuru”, disse o general Sylvain Ekenge, porta-voz do governador militar da província de Kivu do Norte, na segunda-feira, ao fim do dia.

Segundo fontes da sociedade civil da região, os combates recomeçaram nesta terça-feira de manhã entre o exército e este movimento rebelde. O M23, também conhecido como o Exército Revolucionário Congolês, é um antigo movimento de rebelião tutsi congolês que, em tempos, foi apoiado pelo Ruanda e Uganda, os países que fazem fronteira com a província que tem sido alvo da violência dos numerosos grupos armados há mais de 25 anos.

Derrotado em 2013 pelo exército congolês, o M23 tem estado novamente nas notícias desde Novembro, quando foi acusado de atacar várias posições militares na região de Rutshuru. O movimento crítico às autoridades de Kinshasa, por não terem respeitado os compromissos assumidos para a desmobilização e reintegração dos seus combatentes.

Mais tarde, à noite, numa entrevista ao TV5 Monde’s Journal Afrique, o ministro da Comunicação congolês e porta-voz do governo, Patrick Muyaya, afirmou: “É tempo de pôr fim a esta forma de hipocrisia que existe ou a esta forma de cumplicidade entre o M23 e o governo do Ruanda”, acrescentando: “porque queremos olhar para o Ruanda como um país parceiro, tal como olhamos para o Uganda”.

Tendo em conta as “afirmações do exército” da RDC, acrescentou que o embaixador do Ruanda será chamado a “dar explicações”.

“Refutamos categoricamente as acusações sem fundamento” do exército congolês, respondeu terça-feira, numa declaração publicada na rede social Twitter, o governador da província ruandesa do Oeste, François Habitegeko. O exército ruandês “não está de modo algum envolvido em actividades bélicas” na RDC, afirmou, por seu lado, aquele responsável do Ruanda.

Para corroborar as suas acusações, o general congolês Ekenge disse que dois soldados ruandeses tinham sido detidos durante os ataques de segunda-feira e deram as suas identidades: o oficial de guerra Jean-Pierre Habyarimana e o soldado John Uwajeneza Muhindi, do 65.º Batalhão da 402.ª Brigada RDF, especificou.

Enquanto lia a sua declaração, os dois alegados militares, vestidos com roupas civis, foram exibidos na televisão congolesa. O governador ruandês da província ocidental “contestou as falsas acusações”, afirmando que estes dois homens foram presos “há mais de um mês” e que o exército ruandês não tinha quaisquer militares com os nomes mencionados.

Para o responsável ruandês, apresentar estes dois homens como soldados ruandeses foi uma “tentativa de manipular a opinião pública”.

Desde a chegada em massa à RDC de hutus ruandeses acusados de massacrar tutsis durante o genocídio de 1994 no Ruanda, que este país tem sido regularmente acusado por Kinshasa de incursões no Congo e de apoiar grupos armados no leste do país.

As relações foram facilitadas com a chegada ao poder, no início de 2019, de Félix Tshisekedi, que se encontrou várias vezes com o seu homólogo ruandês, Paul Kagamé, mas a actividade renovada do M23 reavivou as suspeitas.

Numa declaração emitida no fim-de-semana, o antigo movimento rebelde disse que as operações do exército congolês “contra os (seus) combatentes reflectem, sem dúvida, a escolha definitiva do governo da República de fazer a batalha com o M23”.

*Texto Lusa

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