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Pitta Grós afirma que já não há mais volta a dar: processo contra Isabel dos Santos vai avançar com ou sem a sua cooperação

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A Procuradoria-Geral da República (PGR) voltou, esta segunda-feira, 28, a dar nota de que não “há mais volta a dar” em relação ao processo-crime que envolve a empresária Isabel dos Santos, procurada pelas autoridades judiciais angolanas por alegada prática de vários crimes, entre os quais o de peculato, fraude qualificada, participação ilegal em negócios, associação criminosa, tráfico de influência e lavagem de dinheiro.

Esta segunda-feira, em declarações à imprensa, à margem de uma reunião do Conselho de Direcção da PGR que decorre em Luanda, o procurador-geral da República, Hélder Pitta Grós, insistiu na afirmação — entretanto já desmentida pela empresária angolana — de que Isabel dos Santos se encontra em “lugar incerto”, e que várias tentativas foram feitas para ouvi-la, mas sem sucesso, precisamente por se desconhecer o seu actual local de residência.

O paradeiro de Isabel dos Santos tem sido uma espécie de ‘pingue-pongue’ de parte a parte, com a PGR a afirmar que não encontra a empresária e esta, entretanto, a insistir — voltou a fazê-lo na entrevista exclusiva que concedeu à DW África na semana passada — que Pitta Grós e a própria Procuradoria-Geral da República sempre souberam do seu paradeiro e do seu endereço oficial.

Na declaração que fez hoje à imprensa, Pitta Grós lançou inclusivamente um repto à empresária angolana, no sentido de esta “dizer o sítio concreto onde está”, tendo, no entanto, prometido que o processo irá avançar mesmo que Isabel dos Santos se furte em ser ouvida ou se recuse a cooperar.

“Nós sempre contámos que ela haveria de responder às notificações. Fomos dando uma oportunidade para que ela respondesse, não quisemos apressar nada. Não temos interesse nenhum em que as coisas decorram com emissão de mandados, mas depois de quase quatro anos de termos o processo parado, estagnado, por isso então decidimos avançar”, disse Pitta-Grós à imprensa, confirmando a emissão de um mandado de captura internacional.

Segundo o PGR angolano, existe um processo-crime em curso contra Isabel dos Santos desde 2018, tendo sido na condição de suspeita que a Procuradoria-Geral da República tentou diversas vezes notificá-la na sua residência, no condomínio do Morro Bento, em Luanda.

À data dos factos, de acordo com Pitta Grós, a empresária Isabel dos Santos se teria negado a assinar a notificação, tendo, de seguida, abandonado o país. No entanto, continuou o magistrado, foram feitas várias notificações, que teriam sido entregues no escritório de advogados que a defende, bem como em empresas às quais estava a empresária ligada, como a Unitel e a ZAP.

“Em Abril do ano em curso, quando a PGR tomou conhecimento da sua estadia na Holanda, emitiu uma carta rogatória, a fim da mesma ser ouvida naquele país europeu, tendo mais uma vez rejeitado assinar a notificação e muito menos ser interrogada”, explicou Pitta Grós, insistindo que o processo contra a empresária vai mesmo avançar, ainda que ela não preste declarações no âmbito do mandado de captura internacional pedido pelas autoridades angolanas à Interpol.

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