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Morreu o general Paulo Lara

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Morreu, nesta terça-feira, 22, aos 65 anos de idade, na cidade do Porto, em Portugal, vítima de doença, o general Paulo Lara, um dos três filhos de Ruth e Lúcio Lara, dois dirigentes da luta de libertação nacional, sendo o último uma das mais importantes figuras do MPLA, movimento político anti-colonial que ajudou a fundar.

General das Forças Armadas Angolanas (FAA), em situação de disponibilidade, Paulo Lara, que internou em Janeiro deste ano numa clínica privada, em Luanda, seguiu depois, naquele mesmo mês, para o Porto, onde recebia tratamento a um cancro que lhe foi diagnosticado.

O militar, que nasceu no ambiente de luta anti-colonial e cresceu no meio nacionalista angolano e estudantil no Congo-Brazzaville, começou a sua carreira militar em 1972, aos 16 anos, nas matas de Cabinda, como guerrilheiro do MPLA. Quando chegou a independência, tinha Paulo Lara 19 anos de idade e já com uma importante folha de trabalho como guerrilheiro.

Ao lado dos pais, Ruth e Lúcio Lara, Paulo Lara andou por vários lugares estratégicos da luta anti-colonial, como Guiné-Conacry, Alemanha, Marrocos, Léopoldville, chegando a conhecer Amílcar Cabral e muitas peças-chave envolvidas na guerra pela emancipação dos povos falantes de língua portuguesa no continente africano.

Licenciado em Ciências Militares e em Relações Internacionais, tendo sido docente universitário e integrado o Centro Avançado de Estudos Africanos da Universidade Agostinho Neto, Paulo Lara foi o produtor e o grande impulsionador do projecto “Angola nos Trilhos da Independência”, que resultou no filme “Independência”, realizado pela Geração 80 e produzido pela Associação Tchiweka de Documentação (ATD).

Durante a captação destes depoimentos, Paulo Lara — pela ATD, e a equipa que o acompanhou, composta por jovens entusiastas do cinema afectos à produtora de audiovisual Geração 80 (Mário Bastos, Jorge Cohen, Tchiloia Lara e Kamy Lara) —, captou, durante 57 meses, 900 horas de material audiovisual, recolhido em território nacional e internacional, com cerca de 700 protagonistas da luta anti-colonial.

O material recolhido, além de ter servido para a materialização do longa-metragem “Independência”, consta hoje do grande acervo da ATD sobre a memória de um período da história de Angola e sobretudo sobre a luta dos povos que estiveram sob ocupação colonial.

Paulo Lara foi membro-fundador da Associação Tchiweka de Documentação, instituição de utilidade pública, com a qual deu início, em 2003, a uma série de investigações sobre o período da luta de libertação e desde 2010 ao Projecto “Angola – Nos Trilhos da Independência”.

As cerimónias fúnebres realizar-se-ão em Luanda, em data a anunciar, segundo uma nota publicada pela ATD na rede social Facebook.

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