Luanda em chamas após manifestação de motoqueiros que se diziam burlados pelo MPLA

 Luanda em chamas após manifestação de motoqueiros que se diziam burlados pelo MPLA

Centenas de motoqueiros, que invadiram este sábado, 23, algumas artérias da baixa de Luanda e proximidades da Cidade Alta, foram repelidos a tiros por militares e agentes da polícia da pública, após rebelarem-se contra o não pagamento pela sua participação numa passeata motorizada promovida pelo MPLA.

Na tarde deste sábado, poucas horas depois do candidato do governo, João Lourenço, ter proferido o discurso de abertura oficial da campanha eleitoral do partido no poder em Angola desde 1975, centenas de moto-taxistas, oriundos de vários municípios de Luanda, foram mobilizados para participarem da referida passeata, em troca de dez mil kwanzas.

Após a referida marcha, começaram a surgir nas redes sociais uma série de vídeos a ilustrarem vários protestos na Ilha de Luanda, onde uma viatura de marca Land Cruiser, de cor branca, acabou totalmente consumida pelo fogo, assim como dezenas de t-shirts e chapéus com o rosto de João Lourenço.

Através dos vídeos, não é possível apurar as circunstâncias, nem os protagonistas da queima da viatura, que ainda ardia no momento em que ardia no momento da captação daquela imagem.

Os motoqueiros foram depois empurrados para fora da Ilha do Cabo, quando militares e polícias começaram a intervir.

Depois da Ilha do Cabo, surgiram novos vídeos, onde centenas de motoqueiros surgem na Avenida I Congresso, à entrada do Ministério da Defesa, onde foram parados e impedida a marcha por militares, que foram obrigados a fazer vários disparos, captados por automobilistas.

Numa dessas viaturas, ouve-se o choro de uma criança, no exacto momento em que surge no vídeo um militar que faz vários disparos, não à queima-roupa, em direcção ao Instituto de Luta Contra o Sida, onde os motoqueiros se haviam concentrado.

   

Antes de abandonarem ou de terem sido expulsos pelas forças policiais e militares, os motoqueiros, tal como procederam na Ilha do Cabo, voltaram a queimar t-shirts e chapéus, bem como proferiram vários impropérios contra o MPLA e o seu candidato.

Nos vídeos que correm nas redes sociais, filmados através dos edifícios situados na Avenida I Congresso, é possível ver a intervenção de alguns agentes da polícia, dispersando os motoqueiros que fogem em debandada.

Num outro vídeo, mas no Largo do Ambiente, é também possível ver centenas de motoqueiros em direcção ao Eixo Viário, subindo em alta velocidade, saindo da Avenida 4 de Fevereiro; uns são forçados a evitar o asfalto e a passar sobre o largo, isto é, em cima do parque de estacionamento subterrâneo ali instalado.

Pouco se sabe sobre a cronologia dos incidentes e se alguém ficou ferido com gravidade ou não, na sequência da intervenção da polícia nacional e dos militares. No vídeo ouvem-se apenas reivindicações contra o MPLA, por conta do valor que não foi pago.

À noitinha, começaram a surgir mais vídeos, um dos quais da Cidadela Desportiva, de onde havia partido a passeata, no qual surgem pelo menos dois motoqueiros, com os rostos encapuzados, a afirmarem que os acontecimentos deste sábado não haviam passado “de um mal-entendido”.

Os dois jovens motoqueiros chegam a mostrar os valores recebidos, e um dos deles afirma que os dez mil kwanzas foram prometidos para ajudar na compra de combustível.

Oficialmente, nenhuma voz no MPLA se propôs a dar explicações sobre o sucedido. Entretanto, não é a primeira vez que o partido do governo mobiliza motoqueiros para participarem de um acto político do género.

Num passado recente, os mesmos motoqueiros que participaram da passeata vieram depois a público denunciar que haviam sido “comprados” para participarem da referida passeata.

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