Benim. França restitui 26 obras dos tesouros reais de Abomei saqueadas há 130 anos

As 26 obras dos tesouros reais de Abomei do Benim, saqueadas pela França, em 1892, foram, nesta terça-feira, 8, restituídas ao país africano durante uma cerimónia solene, no Palácio do Eliseu (sede da Presidência francesa), que contou com a presença dos ministros da Cultura dos dois países, Roselyne Bachelot e Jean-Michel Abimbola.

Para o Presidente Emmanuel Macron, que em 2017 se comprometeu a restituir o património africano em França, a restituição dos tesouros saqueados pelas tropas coloniais do seu país é “um momento simbólico, comovente e histórico, que foi muito aguardado”.

As obras deverão regressar nesta quarta-feira, 10, ao Benim, num momento considerado histórico e “de orgulho nacional” pelas as autoridades do país africano.

O Presidente do Benim, Patrice Talon, disse, na ocasião, que “todo o povo do Benim vos exprime a sua gratidão”, apesar disso, Patrice Talon lançou um aviso de que “a restituição das 26 obras é apenas uma etapa”.

“Como querem que o meu entusiasmo seja total quando obras como o ‘Deus Gou’ ou a ‘Tábua de Adivinhação do Fâ’ continuam aqui em França, para grande prejuízo dos seus beneficiários?”, interrogou Talon, prometendo regressar ao país europeu para outras restituições.

Entre as obras agora restituídas, que estavam expostas no museu parisiense do Quai Branly, figuram estátuas totem, do antigo reino de Abomei, assim como o trono do Rei Béhanzin, saqueados do Palácio de Abomei pelas tropas coloniais francesas em 1892.

As obras são esperadas com emoção em Cotonou, onde serão submetidas a dois meses de “aclimatização” às novas condições de clima e higrometria, antes de serem expostas durante três meses na Presidência beninense.

Irão de seguida para o antigo forte português de Ouidah e para a casa do governador, locais históricos da escravatura e da colonização europeia, enquanto se aguarda a construção de um novo museu em Abomei.

Num discurso em Ouagadougou, em Novembro de 2017, Macron comprometeu-se a tornar possível, num prazo de cinco anos, a restituição temporária ou definitiva do património africano em França.

Segundo especialistas, 85 a 90% do património africano está fora do continente. Desde 2019, além do Benim, seis países apresentaram à França pedidos de restituições, nomeadamente o Senegal, Costa do Marfim, Etiópia, Chade, Mali e Madagáscar.

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