África do Sul. Zuma rejeita acusações de relatório sobre corrupção

 África do Sul. Zuma rejeita acusações de relatório sobre corrupção

O ex-Presidente sul-africano Jacob Zuma, implicado num relatório sobre corrupção na África do Sul durante o seu mandato, rejeita as acusações e “a colecção de calúnias e conjecturas” que considera “ilegal” e “irracional”, disse no sábado o seu porta-voz.

O antigo chefe de Estado da África do Sul anunciou a intenção de contestar legalmente trechos do relatório que resulta de quatro anos de uma intensa investigação.

O sistema de corrupção denunciado pelo relatório destacou a exclusão de empresas estatais da economia mais avançada do continente, em favor de alguns indivíduos e empresas ricas.

O documento — concluído depois de quatro anos de investigação por uma comissão ad hoc sobre a corrupção estatal na África do Sul durante a era Zuma (2009-2018) ­— foi entregue ao actual Presidente do país, Cyril Ramaphosa, na quarta-feira, 22, e acusa Jacob Zuma de ter sido “um actor central” de um esquema concebido para sacar dinheiro dos cofres públicos.

O ex-Presidente, condenado a 15 meses de prisão por se recusar a depor perante a comissão anti-corrupção, mas colocado em liberdade condicional por razões médicas, considerou este relatório “ilegal” e “altamente irracional”, afirmou o porta-voz da Fundação Zuma, Mzwanele Manyi, numa conferência de imprensa.

Para o ex-Presidente, trata-se, “como seria de esperar, de uma colecção de fofocas, insinuações e conjecturas” e de um documento “muito ligeiro nas provas”, acrescentou o porta-voz.

Jacob Zuma deveria comparecer também na conferência de imprensa, mas os seus advogados dissuadiram-no a fazê-lo, para não arriscar violar as condições da sua liberdade condicional.

O relatório é resultado de uma investigação, que começou em Agosto de 2018, logo após a renúncia de Zuma ao cargo de Presidente.

Após mais de 400 dias de audiências, mais de 300 testemunhas, cerca de 1.500 pessoas estão implicadas, incluindo Jacob Zuma, descrito como a “marioneta” dos irmãos Gupta, poderosos empresários de origem indiana. Dois dos irmãos Gupta foram presos em Junho, no Dubai, e estão sujeitos a um pedido de extradição da África do Sul.

“Desde o início de seu primeiro mandato, o Presidente Zuma estava pronto para fazer o que os Guptas quisessem”, indicou o relatório entregue ao Presidente Ramaphosa.

O sistema de desvio de empresas públicas teria permitido retirar dos cofres do Estado o equivalente a pelo menos 30 mil milhões de euros.

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