Taxistas suspendem greve, mas deixam aviso: “Outras paralisações poderão vir a acontecer”

O presidente da associação Nova Aliança dos Taxistas de Angola (ANATA), Francisco Paciente, anunciou, nesta terça-feira, 11, em conferência de imprensa conjunta, a suspensão temporária da greve em Luanda, para dar lugar às conversações com a governadora da província de Luanda, Ana Paula de Carvalho.

Os responsáveis das associações de táxi ligados à Associação de Taxistas de Angola (ATA), Associação de Taxistas de Luanda (ATL) e ANATA decidiram dar o benefício da dúvida à governadora Ana Paula de Carvalho, chegando mesmo a levantarem a possibilidade de esta “ter sido enganada” pelos seus mais directos colaboradores do sector dos transportes.

De acordo com o responsável da ANATA, embora as associações estejam abertas ao diálogo e tenham levantado a greve, outras paralisações poderão vir a acontecer nos próximos dias, caso a Polícia Nacional (PN), o Serviço de Investigação Criminal (SIC), a Direcção de Investigação de Ilícitos Penais (DIIP) e a Polícia de Trânsito continuem a perseguir os seus filiados e secretários municipais das referidas associações de táxi.

“Os taxistas não vão aceitar ouvir que um determinado líder está, de um momento para o outro, a ser detido, sem mandado de captura, sem qualquer procedimento que a lei admite para a detenção”, advertiu Francisco Paciente, quando falava na conferência de imprensa conjunta, na qual estiveram presentes Rafael Inácio (ATA) e Manuel Faustino(ATL).

Francisco Paciente denunciou actos de perseguições a que estão a ser alvos todos os secretários das associações que convocaram a greve, avançando que existem duas salas de julgamento no Tribunal Provincial de Luanda (Dona Ana Joaquina) e mais de 100 taxistas detidos, sem nenhum mandado de captura.

O líder associativo defende que as organizações que representam são autónomas, estando dotadas do direito de exercerem as suas actividades sem qualquer impedimento do Estado, desde que não violem a lei.

Os presidentes das três associações esperam que a governadora da província delibere o acesso à Vila de Viana, ao São Paulo e à Centralidade do Sequele, locais interditados aos “azuis-e-brancos”.

Francisco Paciente referiu que estão ainda por se avaliar as perdas económicas resultantes da paralisação, mas salientou que desde o primeiro dia, até esta terça-feira, participaram da suspensão do serviço de táxi cerca de 33 mil viaturas.

Fazem parte das reclamações das taxistas o excesso de zelo dos agentes policiais contra os taxistas e líderes das associações, a não profissionalização da actividade, a exclusão dos taxistas no acesso às políticas públicas do Estado e a responsabilização do motorista e cobrador pela infracção do passageiro por não uso da máscara.

Gabriela Vaia

Gabriela Vaia

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