Haiti. Grupo armado que raptou 17 pessoas pede resgate de 17 milhões USD

O grupo armado, conhecido como 400 Mawozo, que raptou 17 pessoas no Haiti – quase todos missionários e norte-americanos – exige um resgate de um milhão de dólares norte-americanos por cada uma das pessoas que mantém sequestradas, disse o ministro da Justiça haitiano, Liszt Quitel, ao jornal Wall Street Journal, citado pelo Expresso.

Liszt Quitel adiantou que o FBI e a polícia haitiana estiveram em contacto com os raptores, membros do grupo armado 400 Mawozo. “Estamos a tentar libertar os missionários sem pagar qualquer resgate”, afirmou o ministro. “Sejamos honestos: se lhes dermos dinheiro, esse dinheiro será usado para mais armas e mais munições”.

Entre o grupo raptado, que é composto por 16 americanos e um canadiano, estão seis mulheres e cinco crianças. Os menores têm oito meses, três, seis, 14 e 15 anos, precisou o governante, antevendo que as negociações possam demorar semanas.

Os missionários trabalham para a organização Christian Aid Ministries, que tem sede nos Estados Unidos, e foram levados no fim de semana quando regressavam de um orfanato, em Croix des Bouquets, a cerca de 13 quilómetros da capital, Port-au-Prince. Trata-se do mais recente sequestro a abalar o país, onde nos últimos anos os raptos se tornaram frequentes e cada vez mais ousados.

Em Abril, dez pessoas foram sequestradas, incluindo sete membros do clero, tendo os reféns sido libertados depois de pago um resgate por dois dos clérigos, disse Liszt Quitel.

A crescente violência provocada por grupos armados acontece num cenário de crise política e económica, com o Haiti a tentar refazer-se do assassinato do Presidente Jovenel Moïse, em Julho, e de um terramoto de magnitude 7,2, que atingiu o sul do país a 14 de Agosto, matando mais de 2.200 pessoas.

Pelo menos 628 incidentes foram registados nos primeiros nove meses de 2021, ainda que habitualmente sejam sequestrados haitianos e não estrangeiros.

O grupo 400 Mawozo tem ganhado força nos últimos três anos, estando há meses associado a roubos e sequestros na região entre Port-au-Prince, capital, e a fronteira com a República Dominicana. Tem por prática pedir resgates elevados e foi pioneiro em raptos colectivos, muitos deles realizados em autocarros, segundo o Centro para Análise e Investigação de Direitos Humanos (Cardh), uma organização sem fins lucrativos com sede em Port-au-Prince.

*Com o Expresso

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