EURO 2020: O hino dos ‘Blues’ que dividiu os franceses e acabou ‘banido’

Há poucos dias do início do Euro2020, o hino da selecção francesa de futebol ‘Escreva meu nome em azul’ (Écrire mon em bleu, em francês) — escrito e interpretado pelo rapper Youssupha — colocou na agenda de debate do país uma polémica alimentada por políticos ligados à extrema direita gaulesa.

Conhecido por suas letras particularmente agressivas, Youssoupha foi escolhido para interpretar o “hino” da selecção francesa para a competição que começou no dia 11 de Junho e que se disputa em 11 cidades do ‘velho continente’.

Assim que foi anunciada a música “Escreva meu nome em azul”, o deputado europeu do partido da extrema direita Rensemblement National (RN), Jordan Bardella, denunciou a escolha, considerando “um insulto à França e aos franceses”.  Outros líderes políticos como Robert Ménard ou Gilbert Collard também protestaram.

Apesar da polémica, a própria ministra do Desporto, Roxana Maracineanu, defendeu a escolha do rapper.  “Youssoupha é um cantor activista que denuncia o racismo e é pela diversidade.  O desporto partilha esses valores”, disse a ministra, acrescentando que “Youssoupha é um militante da luta contra a discriminação racial. O desporto é uma escola de diversidade que promove o respeito a si mesmo e aos outros”.

Mas quem é Youssoupha, o músico envolvido numa polémica sem fim?

Nascido em Kinshasa (RDC), em 1979, Youssoupha Mabiki Zola é filho do lendário músico congolês Pascal Emmanuel Tabu Ley, mais conhecido por Rochereau Tabu Ley. Youssoupha chegou à França com dez anos de idade. Segundo a TV5 Monde, é licenciado com a melhor nota em língua francesa pela Academia de Versalhes e tem um mestrado em mediação e comunicação cultural.

Iniciou-se na música no final dos seus estudos, tendo em 2006 lançado o seu primeiro álbum de originais, ‘Eternas Recomendações’, que se tornou um assunto polémico por causa das palavras ofensivas contra Marine Le Pen, filha de Jean Marie Le Pen, fundador do RN, hoje liderado por Marine, principal rival de Macron nas próximas eleições presidenciais, em 2022.

Youssoupha não ficou por aí. Numa França fragmentada por questões raciais e migratória, em 2009, voltou a proferir palavras duras contra o país que lhe acolheu: “Já não confio na França, porque é um país de hipócritas”. “Não quero falar com uma garota nojenta e vadia (referência à Marine Le Pen).

Numa entrevista publicada no jornal Le Parisien, o presidente da federação francesa de futebol, Noël Le Graët, defendeu-se das críticas, frisando que não apoia a canção. “Não é o hino dos Blues”, foi um grupo de jovens da área de marketing da federação que escolheram Youssoupha. Curiosamente, o polémico hino não aparece no site da Federação Francesa de Futebol (FFF).

 

Manuel Lutomata*

Correspondente do jornal !STO É NOTÍCIA, em Lyon (França)

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