UNITA volta a estar em ‘contra-relógio’ após nova tentativa de impedir a realização do congresso

É mais um revés somado ao já longo cocktail de acontecimentos que continuam a abalar — pelo menos publicamente — a estrutura directiva da UNITA. Uma vez mais, o ‘teatro das operações’ é o Tribunal Constitucional, que, nesta quarta-feira, 24, emitiu uma ‘nota de citação’ a dar conta de que um grupo de militantes do partido e membros da Comissão Política do Comité Permanente recorreu àquela corte para tentar impedir a repetição do XIII Congresso Ordinário, que elegeu, em 2019, Adalberto Costa Júnior.

Sob alegação de que a convocação do congresso para os dias 2, 3 e 4 de Dezembro próximo ocorreu num alegado “ambiente de coacção”, que teria impedido os membros da Comissão Política de terem decidido em consciência, o grupo — do qual fazem parte Ilídio Chissanga, Amaro Caimana Boquelo, Filipe Mendonça, Filomena Junqueira, Elisbei Chinjola e Manuela dos Prazeres Cazoto — interpôs uma providência cautelar, a fim de impedir que o congresso ocorra na data prevista.

Um outro argumento que os queixosos avançam para impedir que o processo siga em frente é o de que “não houve tempo suficiente para preparar as conferências”, o que em termos práticos teria impedido que “fossem debatidas as teses ao congresso”.

Após a acusar a referida nota de citação do Tribunal Constitucional, o !STO É NOTÍCIA sabe que foram feitas algumas movimentações a nível da UNITA que apontam para uma nova tomada de decisão do órgão do partido, em resposta à notificação.

No documento a que este portal teve, que mais parece uma convocatória, são convocados todos os secretários provinciais do Galo Negro para um encontro que vai ter lugar no sábado e domingo proxímos.

“Perante esta situação, que põe em causa a legitimidade da Comissão Política, das decisões por si tomadas, dificultando assim a estabilização da direcção do partido, encontramo-nos perante uma situação crítica que, se não for rapidamente resolvida pode levar o partido à sua extinção por acumulação de tempo sem a realização do Congresso”, lê-se no documento dirigido aos secretários provinciais.

Segundo o documento, a única forma de salvar a UNITA da “grave encruzilhada” seria voltar a reunir a Comissão Política do partido, que teria então a missão de “revalidar as suas decisões assumidas na primeira Reunião Extraordinária da Comissão Política”. Para isso, a nota deixa um apelo a todos os membros da Comissão Política saídos do XII Congresso Ordinário, e que participaram da Reunião agora atacada, para que estejam prevenidos para uma reunião a ter lugar em Luanda entre sábado e domingo próximos”.

O apelo é ainda no sentido de que os quadros da UNITA “sejam informados da gravidade da situação que se vive”, para que estes possam vir a Luanda “preparados a assumirem uma posição forte e inequívoca, para estancarem, de uma vez para sempre, este grave vício de recursos às instituições extra-partidárias, em flagrante violação aos princípios de organização, funcionamento e disciplina do partido”.

A decisão de repetir o congresso entre os dias 2 e 4 de Dezembro foi aprovada na primeira reunião extraordinária da Comissão Política da UNITA, realizada a 20 de Outubro do corrente ano. ​​​​​​ A realização de um novo Congresso foi aprovada com 222 votos a favor, um voto contra e 11 abstenções. Ou seja, por 94,9% dos membros Comissão Política do partido.

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