UNITA lamenta que 30 anos depois “o regime mantenha a mentalidade e a prática de partido único”

O Secretariado Executivo do Comité Permanente da Comissão Política da UNITA, o maior partido na oposição, considera “alarmante” que, 30 anos depois da institucionalização da democracia multipartidária em Angola, ainda se registe no país uma actuação do partido no poder que se confunde com os primeiros 16 anos do país independente, quando, por conta do sistema monopartidário, apenas um actor político mantinha o controlo do Estado como se de sua pertença se tratasse.

“É notório e alarmante que, 30 anos após a institucionalização da democracia multipartidária, o regime mantenha a mentalidade e a prática de partido único; não respeita a vontade dos cidadãos livremente expressa nas urnas; cria barreiras de vária ordem contra a sã convivência política, social e económica”, afirmou o secretário-geral do partido, Álvaro Chikwamanga Daniel, ao vir a terreiro para reagir às acusações segundo as quais o seu partido está a financiar milícias que pretendem semear o caos e a violência no país.

A maior força política da oposição em Angola, que se diz “profundamente comprometida com a paz e com os valores da democracia”, assume que “é sua convicção de que só um Estado verdadeiramente democrático e de direito pode garantir a boa governação, a convivência pacífica na diferença”, facto que, para aquele partido, “exige elevação política e moral”.

A UNITA, que condena “a postura musculada adoptada pelo executivo para lidar com as greves no sector público e as manifestações”, acredita que, para o cidadão angolano, a maior preocupação é a resolução dos problemas sociais e económicos do país, tais como a pobreza e o desemprego, que durante décadas, constituem “os principais e verdadeiros inimigos do país”, razão pela qual “rejeita o discurso crispado”.

“A greve e as manifestações são direitos constitucionais. A UNITA insta o executivo a dialogar de forma honesta com os trabalhadores do sistema de saúde, educação e ensino, com vista a solucionar as questões que estes sectores vitais vivem e assegurar serviços universais de qualidade aos cidadãos”, apelou o secretário-geral do Galo Negro, quando fazia a leitura do comunicado do Secretariado Executivo do Comité Permanente da Comissão Política do seu partido.

Na semana passada surgiram nas redes sociais e em determinados órgãos de imprensa imagens e panfletos a insinuarem a existência de milícias, alegadamente financiadas pela UNITA, fazendo apologia da violência. Em alguns desses panfletos traziam os símbolos da Polícia Nacional (PN), como se tivessem sido produzidos pelas forças de defesa e segurança públicas.

Em conferência de imprensa, a UNITA demarcou-se de qualquer responsabilidade e ligações às supostas milícias, rejeitando e condenando a associação da sua imagem a quaisquer actores que pretendam perturbar a estabilidade política e social do país.

“Esses indícios, em ambiente pré-eleitoral, associados a actos e discursos que incitam à intolerância e à violência, representam a reedição da estratégia de manipulação, característica do regime, com o propósito de desviar a atenção da opinião pública nacional e internacional, dos reais problemas dos cidadãos, que clamam por soluções”, ressaltou a UNITA no seu comunicado público.

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