Mussende. Uma parturiente perde a vida todas as semanas por falta de assistência

O sacerdote católico Moisés Luís Vicente denunciou esta quinta-feira, 22, a morte de pelo menos uma parturiente todas as semanas, no município do Mussende, província do Kwanza-Sul, por conta da falta de assistência médica em partos considerados  “complicados” e “difíceis”.

A informação avançada à DW dá conta que a transferência das gestantes para a maternidade do Sumbe, no município sede da província, se tem dado por causa do aparelho de ecografia, que permite saber em que posição o bebé se encontra e se as gestantes podem ou não sofrer uma intervenção cirúrgica. Algo que, para o sacerdote, poderia ser feito com antecedência.

As mulheres, segundo alerta do clérigo católico, têm que percorrer 300 quilómetros até à capital da província, para que possam ter assistência médica. “Quem é que não sabe que uma mamã em actividade de parto [não está em condições de] sair daqui [e viajar] até ao Sumbe, que fica a 300 quilómetros?”, questionou o Sacerdote.

Moisés Luís Vicente relata um município em estado de abandono e numa condição a que chamou de atraso, “não por questões financeiras, mas porque quem decide não olha para as pessoas que vivem na localidade”.

O município do Mussende tem tido problemas com a única ambulância existente, o que tem obrigado a que o carro da basílica faça o papel de ambulância sempre que têm de evacuar as mulheres grávidas para o município do Sumbe.

Uma gestante, de nome Joaquina Domingos, confidenciou à DW que a falta de médicos e de um aparelho de ecografia no centro materno-infantil está na base dos problemas que têm enfrentado as mulheres.

“Aqui só temos uma ambulância. Se a mesma estiver avariada, temos de recorrer ao padre Moisés para nos levar até ao Sumbe para sobrevivermos. A cada semana morre uma grávida e está a ficar preocupante”, lamentou a parturiente.

Entretanto, o mesmo transporte que tem servido de apoio para as parturientes também não apresenta as condições desejadas, por ter os assentos partidos, por um lado, e, por outro, porque numa única viagem são muitas vezes levadas duas a três parturientes.

“A estrada chegou ontem, depois de quase 20 anos de paz, e o hospital vai chegar daqui a 40 anos de paz. A escola, daqui a 50 anos de paz. Penso que não é necessário tanto tempo assim”, ironizou o sacerdote.

O director do Gabinete Jurídico da Administração Municipal do Mussende, Arnaldo Valentim, reconheceu as dificuldades e garantiu que, mesmo em tempos de crise, a administração tem estado a fazer alguma coisa em benefício das parturientes.

“Relativamente aos partos difíceis, mesmo na crise e com muita dificuldade, a administração municipal deu início à construção de um bloco operatório para mitigar [o problema]. Não é normal num parto percorrer 300 quilómetros de estrada para encontrar soluções”, admitiu Valentim, frisando:

“Dificuldades são várias, mas os recursos são escassos. O projecto de construção do bloco operatório está a 45% e foi concebido no âmbito do programa de combate à pobreza. Esperamos que, tão-logo haja disponibilidade financeira, passemos para a outra fase do mesmo projecto”, augurou.

*Com a DW/ Óscar Constantino

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