Médicos convocam greve nacional e prometem não abrir mão das questões essenciais

O Sindicato Nacional dos Médicos de Angola (SINMEA) anunciou, esta terça-feira, 23, uma greve geral entre os dias 6 a 10 de Dezembro, para exigir o reenquadramento do médico Adriano Manuel, o aumento salarial, o pagamento de subsídios e melhores condições laborais.

O anúncio foi feito em conferência de imprensa pelo secretário-geral do SINMEA, Pedro da Rosa, logo após a Assembleia Geral dos Médicos, realizada no dia 20 deste mês, que contou coma participação de cerca de 400 médicos.

Enquanto durar a greve, o SINMEA garante que serão salvaguardados os serviços mínimos nos cuidados intensivos e bancos de urgências. Suspensas ficarão as actividades de enfermaria e consultas externas.

Apesar da greve decretada, a Assembleia Geral dos Médicos incentivou igualmente a comissão de negociação a criar pontes de diálogo com a entidade patronal.

De acordo com o sindicato, nos hospitais tem-se observado a falta de medicamentos essenciais para o combate às doenças endémicas, tais como a tuberculose, a malária, e as doenças respiratórias e diarreicas.

Durante a conferência, Pedro da Rosa reclamou dos baixos salários, alegando que um médico em Angola tem feito o trabalho de cinco profissionais, e que este cenário tem contribuído para o acelerado desgaste físico e psíquico dos mesmos.

“Se não houver uma rápida intervenção de quem nos dirige, será um caos. No pós-pandemia, o Ocidente poderá abrir-se à migração. Não são poucos os médicos que desejam emigrar. Fica o alerta”, avisou.

Prosseguindo, sindicalista classificou como “falta de patriotismo de quem governa” a suspensão do médico e presidente do sindicato, Adriano Manuel, ocorrido há 18 meses, por denunciar a morte de várias crianças no Hospital David Bernardino.

Aquele secretário fez saber que foram criados no âmbito do Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM) novos hospitais, mas que não são recrutados médicos e enfermeiros para estas unidades hospitalares.

Pedro da Rosa lamentou ainda o facto de no país existirem muitos médicos formados com o dinheiro do Estado no desemprego, e outros a prestarem serviços como voluntários.

Por seu turno, o presidente do SINMEA, Adriano Manuel, alegou que o Ministério da Saúde (MINSA) já reagiu ao anúncio da greve, e que as negociações devem ter início nesta quarta-feira, 24.

“Em princípio, a greve vai sair, exceptuando se o Ministério da Saúde nos der motivo suficiente para que a mesma não saia, e a há questões das quais não vamos abdicar, como os salários, os subsídios e condições de trabalho”, esclareceu.

“Não podemos aceitar que tenhamos um volume de doentes a morrer e nós a ver sem as mínimas condições possíveis. Queremos que se enquadrem os médicos para melhorar a qualidade de prestação de serviços na periferia”, defendeu Adriano Manuel.

Fazem parte das preocupações do SINMEA, a falta de material gastável, a falta de medicamentos nas unidades hospitalares, a necessidade de um regime remuneratório especial, o pagamento de subsídios e o aumento da taxa de mortalidade de menores.

*Com a Agência Lusa

Gabriela Vaia

Gabriela Vaia

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