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INDRA diz que nunca foi processada nem condenada por fraude eleitoral em nenhum dos países onde trabalhou

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A empresa espanhola INDRA defendeu-se, nesta segunda-feira, 14, das críticas de que está a ser alvo por parte de alguns partidos na oposição e organizações da sociedade civil, que a acusam de ajudar o partido no poder em Angola a materializar processos fraudulentos nas três eleições em que participou como prestadora de serviços, todas elas, entretanto, contestadas por alegados actos que viriam a beliscar a lisura e a transparência do sufrágio universal angolano.

Na nota a que teve acesso exclusivo o Jornal de Angola, a multinacional espanhola especializada em consultoria e tecnologia contesta as acusações contra si, afirmando que não se revê em nenhuma delas, “uma vez que nunca lhe foi movido qualquer processo judicial em nenhum dos países onde tem trabalhado em processos eleitorais. E, consequentemente, nunca foi condenada”.

A empresa gabou-se ainda de continuar a organizar actos eleitorais no seu país de origem, tendo dado como exemplo as regionais do último fim-de-semana, ocorridas em Castela e Leon, no noroeste da Espanha.

Em relação ao facto de ter sido seleccionada pela Comissão Nacional Eleitoral (CNE) para desenvolver e implementar as soluções tecnológicas e de logística do pleito eleitoral previsto para Agosto deste ano, a INDRA justificou o ‘êxito’ no concurso público por ter respondido a todas as condições impostas, garantindo “o cumprimento dos requisitos de transparência e de segurança exigidos por lei, o que implica a redundância dos sistemas de computação, transmissão, processamento e divulgação de resultados, entre muitos outros serviços”.

No dia 2 de Fevereiro do corrente ano, a UNITA prometeu solicitar uma audição parlamentar ao presidente da CNE, Manuel Pereira da Silva ‘Manico’, para questioná-lo sobre os procedimentos contratuais que levaram a realizar um concurso público “que favoreceu a empresa espanhola, que tem a reputação de organizar fraudes eleitorais em África e para regimes ditatoriais na América Latina”.

Nas eleições de 2008, a primeira nas quais participou a empresa espanhola em Angola, a Valley Soft, uma sociedade comercial com ligações ao ex-ministro de Estado e Chefe da Casa Civil do Presidente da República Frederico Cardoso, contratada pela CNE para operações eleitorais, chegou a alegar, segundo documentos revelados pelo portal Club-K (Factura n.º 23/08, de 22 de Abril de 2008) a compra à INDRA de cerca de 10 milhões e 350 mil boletins de votos.

Entretanto, dados divulgados pelo site da empresa espanhola (www.indracompany.com), e também revelados pelo portal angolano de notícias, apontavam que a INDRA havia declarado em Espanha ter produzido e vendido a Angola, naquele ano, 26 milhões de boletins de voto e não o número apresentado pela Valley Soft em factura.

A INDRA tem ainda no seu histórico uma condenação em Espanha por comissões ilegais. A si foram também aplicadas sanções por actos fraudulentos conforme exposto no expediente S/DC/0627/18, de Maio de 2021, e o S/DC/056/15, de Julho de 2018, da Comissão Nacional dos Mercados e Competência de Espanha (CNMC).

No perfil da empresa divulgado pelo Jornal de Angola,  a INDRA faz constar que foi responsável pelas soluções tecnológicas das eleições gerais de 2008, 2012 e 2017, “realizadas nos prazos estabelecidos, de forma eficiente e com transparência, o que fez de Angola um dos países líderes no uso de tecnologia eleitoral de ponta”.

A empresa, que tem mais de 40 anos de experiência na realização de eleições em todo o mundo, afirma ter realizado, até ao momento, mais de 400 processos eleitorais nacionais e internacionais, com mais de 4.000 milhões de eleitores envolvidos. E que oferece cobertura com as suas soluções e serviços a todas as necessidades do ciclo eleitoral, desde o cadastramento dos cidadãos até à captação e divulgação dos resultados no dia das eleições, incluindo a contagem final dos votos.

*Com o Jornal de Angola

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