Francisco Viana, o ‘último dissidente do MPLA’, vai ‘vestir-se de galo’ nas eleições de 24 de Agosto

O empresário e político Francisco Viana, que na semana passada “bateu com a porta” ao MPLA, alegando divergências ideológicas e políticas com o partido no qual militava há 50 anos, é um dos nomes que salta à vista na lista de candidatos a deputados à Assembleia Nacional, entregue, nesta terça-feira, 21, ao Tribunal Constitucional (TC) pela UNITA.

O draft da lista que está a ser partilhado nas redes sociais coloca Francisco Viana num lugar mais do que elegível, na posição n.º 18, e traz igualmente outros nomes ligados ao Bloco Democrático (BD), ao projecto político PRA-JA-Servir Angola, ao chamado Movimento Revolucionário e à sociedade civil.

A UNITA ainda não divulgou, oficialmente, a ordem definitiva dos candidatos na lista entregue ao TC, mas, ao que tudo indica, há mais certezas do que incertezas nos nomes que saíram e entraram nas contas do maior partido na oposição para atacar o poder em Agosto próximo.

Em declarações à DW África, o porta-voz do Galo Negro, Marcial Dachala, que não desmentiu nem confirmou nenhum dos nomes divulgados no draft, assegurou que “a lista é composta pelas personalidades da UNITA, das forças que, com a UNITA, concorrem sob os símbolos da UNITA, personalidades de forças políticas agregadas à UNITA e personalidades da sociedade civil”.

Quanto à sua divulgação, o porta-voz do Galo Negro deixou esta responsabilidade com o órgão encarregue de aprovar as candidaturas dos partidos. “Quando for publicada pelo Tribunal Constitucional, as pessoas saberão exactamente as personalidades que integram a lista”.

Apesar das reservas apresentadas pela UNITA em relação à divulgação dos nomes e posição que cada um deles ocupa na lista de candidatos, certo é, por exemplo, o “regresso” de Abel Chivukuvuku nas fileiras do Galo Negro, na condição de candidato a Vice-Presidente da República, e ausências de vulto de uma elite de políticos da UNITA que decidiu prescindir dos lugares que eram mais do que certos.

“Importantes figuras do partido preferiram deixar voluntariamente o seu espaço para novas gerações, permitindo que essas ganhem experiência e, sobretudo, permitindo que entrem para o Parlamento quadros jovens com competência técnico-profissional para poderem incrementar a qualidade do debate parlamentar”, sublinhou o secretário-geral da UNITA, Álvaro Daniel, logo após a entrega do processo de formalização de candidatura do partido junto do TC.

Nomes de figuras históricas como Lukamba Paulo ‘Gato’, Isaías Henrique Ngola Samakuva, Abílio Camalata Numa, Samuel Chiwale, Joaquim Ernesto Mulato, Eugénio Ngolo Manuvakola e Horácio Junjuvili devem ficar de fora do Parlamento na próxima legislatura.

Álvaro Daniel disse que a candidatura da UNITA foi apresentada com um total de 21.675 assinaturas, e que a lista de candidatos representa “uma transição de geração no seio do partido”, confirmando a presença, por exemplo, de Francisco Viana nas ‘hostes’ do partido do Galo Negro, assinalando a inclusão de “várias sensibilidades políticas”.

“Sejam elas de outras forças políticas, algumas legais, outras em forma de projecto, como também poderão ver sensibilidades da sociedade civil, sem cor partidária. Não se admirem se encontrarem nessa lista alguém que tenha simpatia com o MPLA, porque a nossa lista é mesmo de inclusão”, frisou o secretário-geral da UNITA.

Na semana passada, em carta aberta dirigida ao presidente do MPLA, Francisco Viana, anunciou a sua desvinculação imediata das fileiras do MPLA, alegando ter chegado à conclusão que o seu contributo no MPLA, junto de determinadas esferas, não ter sido muito bem apreciado, nem bem-vindo, tendo acabando por atrair ódios e incompreensões.

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