Etiópia. Onda de detenções contra grupo étnico está a violar direitos humanos

A Comissão Etíope de Direitos Humanos (CEDH), organização autónoma, mas designada pelo Parlamento, denunciou, esta quarta-feira, 17, que a recente onda de detenções arbitrárias, por parte das forças de segurança, contra o grupo étnico de Tigray, é um acto contra os direitos humanos.

“As forças de segurança não estavam a aplicar os princípios básicos de direitos humanos de ‘estrita necessidade, justiça e imparcialidade’, quando detiveram estas pessoas em Adis Abeba”, salientou a CEDH, num comunicado.

Segundo um funcionário da Comissão que não foi identificado, citado pela agência noticiosa espanhola Efe, só na capital etíope, o número de detidos, na operação ainda em curso, ultrapassa, actualmente, os oito mil.

O primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, Prémio Nobel da Paz em 2019, enviou o exército para aquela província do norte do país em Novembro de 2020, para retirar do poder as autoridades regionais da Frente Popular de Libertação de Tigray (TPLF, na sigla em inglês).

A guerra da Etiópia matou milhares de pessoas e criou uma das piores crises do mundo. Centenas de milhares enfrentam condições de fome na região do Tigray, sob o que as Nações Unidas têm chamado de um “bloqueio humanitário de facto”.

Em 2 de Novembro, o governo declarou estado de emergência de seis meses diante do risco crescente de combatentes da TPLF e do Exército de Libertação do Oromo (OLA) marcharem em direcção à capital.

O balanço do conflito ascende a milhares de mortos, a dois milhões de pessoas deslocadas internamente e a, pelo menos, 75 mil refugiados no vizinho Sudão, de acordo com os números oficiais.

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