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Director-geral do Américo Boavida diz que morte de jovem de 24 anos à porta daquele hospital resultou da “negligência grosseira” do médico em serviço

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A direcção do Hospital Américo Boavida reagiu, na noite desta terça-feira, 19, à morte do jovem de 24 anos, à porta daquela unidade de saúde, imputando responsabilidades à equipa médica, em particular ao médico em serviço, a quem acusou de “negligência grosseira”.

“Tivemos um triste acontecimento. Trata-se de facto de um jovem que fez recurso à nossa instituição hospitalar com a sua família, em aparente estado muito grave, e a quem foram negados a prestação daquilo que são as medidas obrigatórias num banco de urgência”, começou por esclarecer o director-geral do Américo Boavida, Mário Fernandes.

Às 5h00 desta terça-feira, a família de João Soma, de 24 anos, deslocou-se àquela unidade hospitalar em busca de cuidados médicos. Informações oficiais dão conta de que o mesmo chegou a ser encaminhado ao banco de urgência, mas o médico em serviço teria orientado para que o mesmo fosse levado para o Hospital Josina Machel.

Entretanto, o comunicado divulgado pela direcção do hospital avança mais pormenores sobre o sucedido:

“À entrada foi prontamente conduzido ao médico em serviço. Imagens do sistema de vídeo-vigilância indicam que o referido médico, não só não prestou qualquer assistência médico-medicamentosa, como mandou os familiares que o transportavam para fora da unidade hospitalar, tendo o paciente chegado a óbito minutos depois, na área adjacente ao hospital. Existem indícios que o médico tomou essa medida sem informar os restantes profissionais do turno, nem informar o supervisor em serviço”.

Na manhã desta terça-feira, o corpo do jovem foi filmado por vários cidadãos que por ali passavam, tornando-se um caso viral nas redes sociais e, por conseguinte, a notícia do dia. Segundo relatos dos familiares e testemunhas, João Soma foi ali depositado ainda com vida por elementos que trabalham no Américo Boavida.

“De facto, o que nós temos dos primeiros indícios apurados é que a situação do jovem carecia de uma abordagem de emergência e o médico que o abordou numa primeira instância falhou com o seu dever ético e deontológico de prestar os primeiros socorros”, reconheceu Mário Fernandes.

O médico em causa, cuja identidade não foi revelada pela direcção do hospital, foi detido, nesta terça-feira, pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC), e o restante da equipa suspenso, até ao apuramento das circunstâncias da morte do paciente.

“A primeira instância foi accionar as nossas estruturas de investigação criminal, porque desde princípio que nos pareceu que havia aqui uma negligência grosseira. E, via contínua, a abertura de um inquérito que vai apurar a responsabilidade de todos os intervenientes nesse processo. Como é lógico, precisa de ser averiguado, mas, até lá, estão suspensas as actividades de toda a equipa de urgência que esteve em serviço”, frisou o responsável máximo por aquela unidade hospitalar.

Mário Fernandes prometeu ainda oficializar a ocorrência junto das estruturas competentes, como a Procuradoria-Geral da República (PGR), e do ponto de vista administrativo, proceder à abertura do respectivo processo disciplinar, assim como notificar a Ordem dos Médicos Angolanos, “para que haja devido julgamento das responsabilidades éticas e deontológicas relacionadas com o caso”.

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