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Conselheiro da República espera que alguém coloque fim à “conversa” do “terceiro mandado de João Lourenço”

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O conselheiro do Presidente da República e jornalista angolano, Ismael Mateus, é contra toda e qualquer tentativa ou proposta de alteração constitucional que vise legitimar um terceiro mandato e questiona a quem o tema interessa e a oportunidade de debate do assunto, “com tantas prioridades e coisas mais importantes para discutir no país”.

“E a própria opinião pública por que razão não rejeita a ideia com mais veemência? Com tantas prioridades e coisas mais importantes para discutir no país, achávamos que essa conversa do terceiro mandato não teria sequer a atenção da midia. Alguém se encarregará de matar isso à nascença. Não aconteceu”, escreveu o jornalista na sua página do Facebook, em reacção ao “debate” que começa a fazer ressonância no espaço público nacional.

“Então, ajudem-me a compreender: quem tem interesse nesse debate? Quem são os pais dessa ‘genuína’ iniciativa? Quem dá a cara pelo terceiro mandato?”, são questões que o conselheiro do Presidente da República gostava de ver respondidas e assume tratar-se de um assunto que não deseja “nem aos inimigos/adversários políticos”.

Em sede do debate político-partidário, Ismael Mateus também não acredita que os militantes do MPLA, sobretudo os membros de direcção, deixem passar o assunto sem que se oponham a sua “materialização”.

O também jornalista não tem dúvidas de que o presidente do MPLA “encontrará uma forte oposição interna”, uma vez que “os actuais líderes, incluído João Lourenço, não possuem peso histórico para impor contra a vontade da maioria uma decisão de ruptura como esta, sem criar uma profundíssima crise de identidade e personalidades”.

“O próprio Presidente João Lourenço, que se apresentou como reformista e crítico dos líderes africanos que se perpetuam no poder, não teria rigorosamente nada a ganhar, tanto no plano interno, como no internacional, onde goza de boa imagem”, refere Ismael Mateus, para quem o líder dos ‘Camaradas’, caso tal acontecesse, “seria visto como mais um africano a tentar perpetuar-se no poder e internamente ficaria na foto pior que José Eduardo dos Santos, que pelo menos teve circunstâncias exógenas que o levaram a ficar tanto tempo no poder e podia alegar não ter sido por vontade própria”.

Ora, “se não há interesse por que razão se permite tanta informação sem resposta?” É outra questão levantada pelo conselheiro de João Lourenço, que continua sem resposta, mas, apesar disso, Ismael Mateus continua a não fazer fé no “grande alargamento feito ao número de membros da direcção”, que “permite que lá esteja gente de todas as tendências, incluindo fanáticos apoiantes dessa loucura do terceiro mandato”.

“Há um núcleo duro que tem consciência da crise política que se abriria no país e sobretudo nas lides do MPLA”, considera Ismael Mateus, mantendo no ar uma pergunta para a qual procura uma resposta: “Estando a aumentar as notícias, os comentários e suposições sobre um terceiro mandato, quem tem interesse nesse debate?”

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