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Aumento dos riscos da dívida externa coloca Angola e Gabão na linha de incumprimento, alerta a revista Bloomberg

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As obrigações soberanas angolanas e gabonesas estão a ser negociadas em níveis problemáticos, elevando para um recorde de 21 países de mercados emergentes em risco de incumprimento, avançou, nesta quarta-feira, 20, a Bloomberg, a agência norte-americana de tecnologia e de dados para o mercado financeiro.

Os títulos de Angola e do Gabão ultrapassam neste momento o spread de 1 000 pontos sobre títulos do Tesouro dos Estados Unidos da América (EUA). O spread representa no mercado financeiro a diferença entre o preço de venda e o preço de compra de um activo. É muito utilizado nas operações especulativas e de investimentos na bolsa de valores, para determinar a rentabilidade.

Cada um dos seis títulos de Angola denominados em dólares e três do Gabão estão a ser negociados a mais de 1 000 pontos-base acima dos títulos do Tesouro dos EUA, um limite que sinaliza que uma nação pode ter dificuldades em pagar a sua dívida, segundo dados compilados pela Bloomberg.

“O elevado número de títulos em dólar de nações africanas, incluindo Angola e Gabão, estão a sinalizar um maior risco de incumprimento”, lê-se no artigo publicado pela agência norte-americana.

A ampliação do ‘clube em dificuldades’, que inclui Estados produtores de petróleo, acrescenta a revista norte-americana, demonstra claramente como poucas nações estão a ser poupadas da preocupação que está a envolver o mundo em desenvolvimento sobre o risco de uma recessão global e inflação acelerada.

O artigo da Bloomberg expõe também, de forma detalhada, que o número de países em território em dificuldades aumentou de nove, no final do ano passado, para 21 neste, depois que a invasão da Ucrânia pela Rússia assustou investidores e desencadeou saídas de mercados emergentes.

Três nações — Rússia, Sri Lanka e Bielorrússia — já deram calote este ano e a Ucrânia está a tentar atrasar os pagamentos da dívida externa.

O executivo angolano embarcou em um ambicioso programa de reformas no âmbito de um programa de três anos com o Fundo Monetário Internacional (FMI) que terminou no ano passado. As reformas incluíram a liberalização da moeda angolana, o kwanza, a privatização de quase 200 activos estatais e a venda de obrigações internacionais.

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