Universidade Agostinho Neto teve maior liberdade científica no tempo do Partido Único, diz Raúl Araújo

O director do Centro de Estudos de Direito Público e Ciências Jurídico-Políticas da Universidade Agostinho Neto (UAN), Raúl Araújo, lamentou, nesta quarta-feira, 21, em grande entrevista à Rádio Nacional, a maneira como a primeira instituição do ensino superior do país está a ser tratada, considerando que no tempo do Partido Único esta tinha mais liberdade de funcionamento e de pesquisa científica, se comparado com dias actuais.

Raúl Araújo critica uma espécie de cultura de subserviência a que está votada a Universidade Agostinho Neto em relação ao órgão de tutela, e lamentou que a componente de investigação científica esteja a ser tirada da universidade que, na sua visão, “não tem nenhum peso específico de diálogo sobre questões ligadas ao ensino superior”.

O académico advoga que a culpa do estado actual da UAN recai sobre o Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESTIC), por conta da sua posição de “teimosia e de excesso de centralismo”.

“Há um excesso de centralismo que eu não via há muitos anos. Por incrível que pareça, sei que colegas, alguns, não vão gostar que diga isso, mas, no tempo do Partido Único tínhamos mais liberdade de funcionamento da universidade, mais liberdade científica, do que nesse momento”, desabafou.

O também jurista disse que a UAN está a ser tratada como um departamento do Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação. “O ministério decide tudo, as opiniões da universidade não são tidas nem achadas”, queixou-se, para depois caracterizar o acto como sendo “extremamente prejudicial ao desenvolvimento da ciência”.

O professor catedrático, com mais de 37 anos ao serviço da academia, anunciou também que, diante do actual contexto académico e orgânico no sector do ensino superior, decidiu abandonar a universidade. “Achei melhor retirar-me e dedicar-me a outras coisas”, disse Raúl Araújo.

Jaime Tabo

Jaime Tabo

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