Sudão. UE pede a todas as partes que participem no “diálogo nacional”

A União Europeia (UE) apelou esta sexta-feira, 13, à participação de todas as partes no “diálogo nacional” que visa resolver a crise política desencadeada no Sudão após o golpe de Estado de Outubro passado, na sequência da suspensão do processo esta semana.

“A pesar de saudarmos os progressos feitos até agora, estamos preocupados com a aparente falta de vontade política por parte de algumas partes para se envolverem plena e construtivamente no processo de facilitar” uma solução, disse em comunicado um porta-voz do Alto-Representante da UE para a Política Externa, Josep Borrell.

A UE reiterou o seu apoio ao processo patrocinado pela ONU, União Africana (UA) e Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento na África Oriental (IGAD) e sublinhou que “qualquer atraso” no acordo, para uma transição liderada por civis, que poderia ser aceite pela comunidade sudanesa e internacional, “só irá agravar a deterioração da economia, somando-se aos já imensos desafios que a população enfrenta”.

“Só a restauração de um quadro democrático gerido por uma transição civil credível poderá permitir a retoma do apoio financeiro ao governo sudanês, incluindo o alívio da dívida”, disse o porta-voz.

“Para alcançar esse resultado, é preciso criar com urgência um ambiente propício para isso. Isso exige vontade política real”, acrescentou.

A UE congratulou-se com a libertação de alguns detidos políticos nas últimas semanas, mas salientou que é necessário pôr em prática outras medidas de “reforço da confiança”, como o levantamento do estado de emergência e a libertação dos restantes presos políticos.

O sucesso do processo lançado pelas organizações internacionais “depende do pleno respeito pela liberdade de expressão, reunião pacífica e associação”, insistiu o porta-voz, reiterando que a UE continuará a prestar apoio humanitário e outro aos sudaneses face a esta crise.

O chamado “diálogo nacional” estava previsto decorrer entre os dias 10 e 12 de maio e deveria ser articulado em torno de um roteiro elaborado durante as consultas anteriores patrocinadas pela ONU somente em fevereiro, e em coordenação com a UA a partir de março.

Essas consultas iniciais visaram desenvolver um plano com soluções para a crise, que consiste em quatro eixos principais e inclui reformas constitucionais e a definição de critérios para a escolha do primeiro-ministro e dos ministros de um novo executivo.

Os outros dois eixos são a formulação de um programa de governo que atenda às necessidades urgentes dos cidadãos e a elaboração de um plano para organizar eleições justas.

Após o golpe de outubro passado, a liderança militar sudanesa enfrentou grande pressão local e internacional para restaurar o Governo anterior e em fevereiro começaram as primeiras consultas com diferentes atores, enquanto milhares de manifestantes saíram semanalmente às ruas e enfrentaram a repressão das forças militares e de segurança que causou a morte de mais de 90 pessoas.

*Texto Lusa

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