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Rwanda lamenta cancelamento do 1.º voo de migrantes e reitera compromisso

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O governo do Rwanda lamentou, nesta quarta-feira, 15, o cancelamento do primeiro voo de deportação de requerentes de asilo desde o Reino Unido, manifestando-se “plenamente comprometido” com o acordo anunciado por ambos os países em Abril.

“Não nos dissuadirão os últimos acontecimentos”, disse a porta-voz do executivo rwandês, Yolande Makolo, horas após o Tribunal Europeu de Direitos Humanos (TEDH) intervir para impedir um voo que tinha sido criticado por organizações humanitárias e pela Igreja anglicana.

Makolo, que já na terça-feira disse que o Rwanda está pronto para acolher “milhares” de migrantes, reiterou que o desafio migratório actual é insustentável e que “não pode continuar uma situação em que há pessoas a empreender perigosas viagens”, segundo declarações citada pelo jornal The New Times.

O governo de Boris Johnson, por seu lado, deixou claro que continuará a tentar enviar os requerentes de asilo para o Rwanda.

A ministra do Trabalho, Therese Coffey, assegurou, em entrevista à BBC, que “os advogados do Ministério do Interior já estão a trabalhar nos próximos passos” e a “preparar o voo seguinte”.

O acordo com o Rwanda permite às autoridades britânicas enviar para o país africano os requerentes de asilo que cruzem o Canal da Mancha.

O acordo tem um custo de 120 milhões de libras — 144 milhões de euros — e incidirá principalmente em homens sem responsabilidades familiares que chegam ao Reino Unido através de embarcações ou camiões, que poderão solicitar asilo no Rwanda e não no Reino Unido.

As organizações defensoras dos direitos humanos defendem que as autoridades britânicas estão a violar as suas obrigações em matéria de protecção ao realizar expulsões que, em seu entender, implicam externalizar responsabilidades para um terceiro país, que não é origem dos cidadãos afectados.

O Reino Unido cancelou na terça-feira à noite o seu primeiro voo de deportação para o Rwanda após uma intervenção de última hora do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, que decidiu haver “um risco real de danos irreversíveis” aos requerentes de asilo.

A decisão de cancelar o voo de terça-feira encerrou três dias de desafios judiciais frenéticos, enquanto os defensores dos direitos de imigração e os sindicatos tentavam impedir as deportações.

Os líderes da Igreja Anglicana juntaram-se à oposição, chamando a política do governo de “imoral”.

Apesar dos protestos, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, defendeu enfaticamente o plano do Reino Unido, argumentando que é uma maneira legítima de proteger vidas e anular os gangues criminosos que contrabandeiam migrantes pelo Canal da Mancha em pequenas embarcações.

A ministra do Interior britânica, Priti Patel, disse estar desapontada com o facto de o voo não poder partir, mas não seria “impedida de fazer a coisa certa”.

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