Rui Falcão atribui tratamento desigual dos partidos na oposição nos media públicos a “excesso de zelo e à auto-censura” dos jornalistas

O porta-voz e secretário para a Informação do Bureau Político do MPLA, Rui Falcão Pinto de Andrade, atribui às direcções editoriais dos órgãos públicos de comunicação social a iniciativa de uma cobertura jornalística “inquinada” e “desigual”, que tem optado por dar tratamento privilegiado aos actos do partido do governo em detrimento das formações políticas na oposição.

Em declarações à Voz da América (VOA), Rui Falcão, que negou qualquer interferência na matéria, assacou esta responsabilidade ao que chamou de “algum excesso de zelo” e a “auto-censura” por parte dos próprios jornalistas e não de ordens eventualmente tenham ou possam emanar do governo.

O responsável do MPLA para a Informação reagia, assim, às acusações de que, por ordens do MPLA, a TPA e outros órgãos públicos de informação estão a dar um tratamento político diferente aos actos de pré-campanha eleitoral das forças políticas que disputam a 24 de Agosto as eleições gerais.

O porta-voz dos Camaradas, mais do que negar as acusações, retrucou-as, dizendo que o secretário para a informação do MPLA é ele e que não deu, nem dará, qualquer orientação para estes órgãos, na medida em que, defendeu, o MPLA “pugna por uma informação isenta”.

“Infelizmente, há quem deturpe os limites das suas responsabilidades, o que não tem nada a ver connosco”, disse à VOA Rui Falcão, referindo-se aos “excessos de zelo e [à] auto-censura” que diz não caracterizar o actuação do MPLA.

Desde o início do período pré-eleitoral, o presidente do MPLA, que se tem deslocado a várias capitais de província nessa qualidade e na de titular do poder executivo, tem merecido uma cobertura televisiva e radiofónica integral por parte da TPA 1, TPA 2, TV Zimbo e Rádio Nacional de Angola (RNA), quer a nível dos actos políticos de massas que têm sido realizados nestas paragens, quer na cobertura de inaugurações de bens e infra-estruturas públicas nessas províncias.

No último sábado, 11, por exemplo, João Lourenço esteve na capital da província do Moxico, no Luena, onde se deslocou para uma jornada de trabalho de dois dia; um na qualidade de chefe do governo e outra como presidente do MPLA.

O comício que proferiu naquela província, no dia 11 de Junho, foi transmitido em directo nos três canais de TV, tendo ainda merecido largas abordagens nos principais serviços noticiosos e de informação dos respectivos canais.

O serviço de monitorização de Carlos Rosado de Carvalho

O jornalista Carlos Rosado de Carvalho tem estado, nos últimos dois meses, a fazer um acompanhamento dos tempos de antena que são dedicados a cada um dos actores políticos nacionais pelo principal canal público, a TPA 1.

No caso do comício do Moxico do dia 11 de Junho, o MPLA beneficiou, segundo o trabalho de monitorização de Rosado de Carvalho, da transmissão em directo do seu acto de massas no programa ‘Especial Informação’, cujo discurso de João Lourenço, na pele de presidente do partido que sustenta o governo, teve uma cobertura directa de 76 minutos e 18 segundos.

Nesse mesmo dia, no Jornal da Tarde, o mesmo comício foi ainda alvo de abordagem jornalístico e durou 14 minutos e 27 segundos. Já no Telejornal daquele mesmo dia, o comício do MPLA no Moxico mereceu um incremento de mais três minutos, totalizando 17 minutos e 45 segundos.

Em termos comparativos, no dia 11 de Junho, a Aliança Patriótica Nacional (APN), partido liderado por Quintino Moreira, beneficiou, no telejornal da TPA 1, de dois minutos e quatro segundos, ao passo que a UNITA, que nesse dia realizou também um acto de massas em Cabinda, beneficiou de apenas um minuto e 11 segundos, com a particularidade de a passagem de João Lourenço em Cabinda ter constado da mesma peça.

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