PN nega ter disparado contra militante da UNITA e culpa partido por “desacato e teimosia”

O Comando Provincial da Polícia Nacional em Benguela emitiu, neste domingo, 12, um comunicado de imprensa no qual apresenta a sua versão dos factos que resultaram na morte de um militante da UNITA, como consequência de um disparo de uma granada de gás lacrimogéneo, durante a realização de uma manifestação pacífica no sábado, alusivo ao XIII Congresso Ordinário do Galo Negro, que voltou a eleger Adalberto Costa Júnior.

A nota, assinada pelo chefe de departamento de comunicação institucional e imprensa do referido comando, inspector-chefe Ernesto Pedro Tchiwale, atribui a responsabilidade do sucedido ao partido UNITA, que, segundo a PN, não acatou as orientações que recebeu nas três reuniões de concertação, durante as quais lhe “foi comunicado da impossibilidade de realização da marcha por violação de Decreto Presidencial n.º 280/21, de 29 de Novembro”.

De acordo com o esclarecimento do Comando Provincial da PN em Benguela, foi dada a hipótese de o partido do Galo Negro realizar “a actividade de massas, circunscrita num único local, sem ter carácter ambulante, como prevêem os n.ºs 2 e 4 do artigo 26.º do decreto presidencial”, tendo a UNITA insistido no sentido contrário, ou seja, não concordado.

  

“A Polícia Nacional montou três barreiras de segurança, incluindo o lançamento de duas serpentinas, mas, mesmo assim, os militantes da UNITA, em clara desobediência das autoridades públicas, forçaram e romperam a serpentina, acompanhado de arremessos de objectos contundentes  pedras, garrafas de água mineral com areia e combustível), contra as forças da ordem”, explica a nota.

A polícia contou ainda que o objectivo de reforçar a presença de efectivos nas principais artérias da cidade, sobretudo no largo adjacente ao Liceu Comandante Kassanji, onde estava prevista a concentração dos militantes, deveu-se ao facto de os dirigentes locais do partido UNITA insistirem “em desacatar a orientação, mesmo depois de várias tentativas de os demover da teimosia”.

“Por volta das 11h00, havia no local uma moldura humana avaliada em cerca de 3.500 pessoas, vindas de vários pontos da província… A Polícia, reagindo à desordem pública e não permitindo que ultrapassassem a segunda barreira, lançou sete artefactos não letais, apenas de efeito moral (plastic snot37mm), originando um certo pânico no local”, conta a nota.

Em relação à morte de Eugénio Pessela e ao ferimento dos outros três manifestantes, a Polícia diz não confirmar a informação, que afirmou “estar a circular nas redes sociais”. No entanto, acrescenta o comunicado de imprensa que o Hospital Geral de Benguela, assim como o municipal, não registaram a entrada de feridos ligados à referida ocorrência.

Contudo, a nota admite que a Polícia tomou conhecimento que, na morgue do Hospital Geral de Benguela, deu entrada, na manhã hoje [domingo], um cadáver cuja morte foi extra-hospitalar.

“Das diligências efectuadas, verificou-se que o nome do malogrado coincide com o que se indica nas redes sociais. Assim, foi ordenada a abertura de um inquérito interno para o apuramento do caso. Foi igualmente solicitado uma autópsia ao cadáver, para que se conheça a real causa da morte do cidadão”, avança a nota de imprensa do Comando Provincial da Polícia Nacional em Benguela.

Através da mesma nota, a PN lamenta o sucedido, mas apela às formações políticas a pautarem a sua actuação pelo respeito das normas vigentes na República de Angola, evitando-se situações desastrosas.

Porém, neste domingo, Benguela assistiu a uma passeata promovida por militantes do MPLA com carácter ambulante. Os organizadores do evento falam na presença de mais de sete mil motorizadas.

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