Ministro brasileiro das Relações Exteriores diz que ‘caso IURD’ não é um problema que afecte a relação entre Angola e o seu país

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Carlos Alberto França, ignorou, na quarta-feira, 1, a polémica envolvendo a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) em Angola, recusando admitir que as “controvérsias” ligadas ao caso afectem a relação entre os dois países.

O chefe da diplomacia brasileira disse que o assunto não foi abordado com o seu homólogo na reunião da III Comissão Bilateral de Alto Nível entre Angola e o Brasil, realizada na quarta-feira, 1, em Luanda, sublinhando que este não é um problema da relação entre os dois países e que o governo brasileiro não comenta decisões da justiça.

“É apenas um aspecto na nossa relação. Há outros que temos e que reforçam a nossa relação. Seguramente não é um problema nas relações do Brasil com Angola (…) é apenas uma das muitas dimensões que tem a nossa relação bilateral”, disse o ministro das Relações Exteriores, à saída da reunião.

O representante referiu que o Brasil “tem orgulho” na IURD, uma igreja cristã nascida no Brasil e que “se espalhou pelo mundo” com “quase tantos templos quanto o ministério das Relações Exteriores do Brasil tem embaixadas”.

Carlos Alberto França considerou também que a “IURD presta um serviço de carácter religioso e espiritual, mas também humanitário “e de grande valia para as comunidades brasileiras no exterior”, nomeadamente as que estão no Estados Unidos, onde realiza, junto das representações consulares brasileiras, um trabalho de carácter humanitário que proporciona não apenas conforto espiritual, mas ajuda na adaptação dos nacionais brasileiros no exterior”.

“O Brasil é um estado laico e a religião faz parte das actividades do país e, nesse sentido, o governo está atento à atuação das igrejas no exterior”, salientou o ministro.

Esta semana, a IURD em Angola “queixou-se de ter sido impedida pelo Governo Provincial de Luanda de realizar, no domingo, um clamor pelas famílias ao pé da cruz, apesar de ter comunicado às autoridades”.

A Igreja alega ter endereçado cartas às autoridades do município do Talatona, aos comandos municipal e distrital da Polícia  Nacional (PN) e ao Governo Provincial de Luanda (GPL), mas não teve autorização para a realização da actividade num espaço afecto à igreja.

A IURD refere que a utilização do seu espaço “não carece de um pedido de autorização, mas sim de um comunicado, e considera que a forma como a igreja procedeu não configura quebra de nenhuma lei”.

Mesmo depois de cumprido todos os protocolos, a IURD afirma ter sido surpreendida com a resposta do GPL, dizendo que “as celebrações das atividades religiosas que devem ser autorizadas pelas autoridades locais competentes estão circunscritas às entidades religiosas legalmente reconhecidas”.

*Com agências

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