Jornal português anuncia investigação a ACJ por tentativa de homicídio de Rui Galhardo

O jornal português Público avançou, neste domingo, 17, que a Procuradoria-Geral da República (PGR) de Angola deverá anunciar esta segunda ou terça-feira o início das investigações contra o presidente destituído da UNITA, Adalberto Costa Júnior, na sequência da queixa-crime por tentativa de homicídio apresentada em Março deste ano por Rui Galhardo.

A publicação, que não faz referência a uma fonte oficial da PGR, aponta a reunião da Comissão Política, agendada para quarta-feira, 20 — e que deve comunicar a data de realização do novo congresso da UNITA —, como estando a ser a “mola impulsionadora” para o anúncio do início das investigações do caso que deveu entrada no primeiro trimestre de 2021.

Ouvido pelo Público, o líder destituído da UNITA desvalorizou a informação, rindo-se inclusive de “mais um dos cenários” e “com pena enorme dos tristes espectáculos”. Porém, Adalberto Costa Júnior não tem dúvidas de que, a ser verdade a notícia de que a PGR irá anunciar o início das investigações, se trata de “mais uma das muitas manobras dos serviços secretos do Estado angolano a trabalhar em prol do partido no poder”.

O político, que diz desconhecer as motivações da queixa-crime apresentada por Rui Galhardo, afirmou que “dá para entender de onde vem, quando tem assistência da comunicação social pública, que está no mesmo alinhamento dos mesmos promotores das conferências de imprensa”, e joga-se contra o Serviço de Inteligência e Segurança de Estado.

“É óbvio que isso tem a mão do senhor [Fernando Garcia] Miala, o chefe dos serviços de inteligência. Que, como todos sabem, não está no âmbito da actuação democrática, a tratar dos interesses do Estado. Está no âmbito da actuação partidária, a tratar de interesses do partido no poder”, explicou ao jornal Público Adalberto Costa Júnior, para quem “há uma perseguição formal ao líder da oposição”.

O político denunciou ainda haver em Angola uma campanha de ataques contra si desde que assumiu a liderança da UNITA, no congresso de 2019, o mesmo que o Tribunal Constitucional anulou a 7 de Outubro do corrente ano.

A polémica à volta do “caso Rui Galhardo” começou em Março deste ano, quando o militante da UNITA há 40 anos (segundo dados avançados pelo próprio à imprensa) denunciou — após as cerimónias dos 55 anos de fundação da UNITA, realizadas no Uíge —, que temeu pela própria vida, tendo nessa altura acusado o então líder da UNITA de ter posto a circular informações segundo as quais estaria armado, o que teria levado a que ele se tivesse visto rodeado de militantes furiosos que quase o lincharam.

Na sequência desse episódio, Rui Galhardo Silva apresentou uma queixa-crime contra Adalberto Costa Júnior, acusando-o de tentativa de homicídio. É este o processo que a agora o jornal português avança como vindo a ser alvo de inquérito por parte da PGR angolana e cujo anúncio deve ser feito às portas de um outro anúncio político importante.

A Comissão Política do Comité Permanente da UNITA deve reunir-se na quarta-feira, 20, para deliberar sobre a data de realização do XIII Congresso Ordinário, após decisão do Tribunal Constitucional de destituir Adalberto Costa Júnior e anular o congresso realizado em 2019.

*Com o PÚBLICO

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