JLo: “A fome é sempre relativa. O país já tem muita produção de bens alimentares”

O presidente do MPLA, João Lourenço, refutou, neste sábado, 11, o discurso proferido pelos seus adversários políticos, que apontam a fome como um problema grave e insanável no país. O líder dos ‘Camaradas’ considera que o discurso da fome — o grande apanágio dos seus contendores — pode ser explicado em Angola com o baixo poder de compra dos cidadãos e não propriamente pela situação de penúria alimentar.

“Fala-se de fome e os nossos adversários hoje acordam de manhã e a noite a cantar uma música: fome, fome, fome. A fome é sempre relativa. O país já tem muita produção de bens alimentares. Talvez, por conveniência própria, por conveniência política, lhes convenha repetir incessantemente a palavra fome. Mas, eu diria que o grande problema de Angola, se quisermos ser mais precisos, é o pouco poder de compra dos nossos cidadãos”, afirmou o também Presidente da República.

João Lourenço, que discursava no estádio 11 de Novembro, por ocasião das comemorações dos 65 anos de fundação do MPLA e do encerramento das actividades relacionadas com o VIII Congresso Ordinário do seu partido, explicou que a actual situação de pouco poder de compra dos cidadãos deve-se aos altos níveis de desemprego, resultante “de um conjunto de factores, mas sobretudo fruto da covid-19, que fez com que muitas das indústrias, muitas das empresas, reduzissem pessoal e em alguns casos vários prémios e encerrassem mesmo as suas portas”.

“Estes cidadãos, que lamentavelmente se encontram nesta situação de desempregados ou de semi-empregados, evidentemente que não têm poder de compra, para garantir a cesta alimentar para as suas famílias, mas, de resto, a produção agrícola, pecuária, piscatória no nosso país tem subido todos os dias para os olhos de quem quer ver e é minimamente honestos”, destacou.

Segundo o Presidente da República e do MPLA, o Estado angolano está a passar aos privados a responsabilidade de fazer crescer o sector empresarial privado, para produzir bens e serviços e dar emprego, contudo, salientou, isso não significa dizer que haja um furtar de responsabilidades por conta das autoridades estatais.

João Lourenço garantiu que o Estado vai continuar a cumprir o seu papel, sobretudo apostando no investimento público, mesmo que não seja o Estado a executar as obras, até porque “a maioria dos casos não é o ele que executa, mas são obras suas, são obras da sua responsabilidade: garantir que haja maior energia, maior oferta de água, maior oferta de habitação, de saúde, educação, estradas, pontes, caminhos-de-ferro”.

Para o alcance desse desiderato, o presidente do MPLA não vê qualquer obstáculo para que o Estado continue a apostar em investimentos públicos, não importando o regime ou âmbito em que estes investimentos sucedam, podendo estes ocorrer no quadro das parcerias público-privadas ou simplesmente com base em concursos públicos para a sua adjudicação.

Ainda assim, realçou João Lourenço, estes investimentos vão continuar a ser responsabilidade do Estado. “E aí devo dizer que, apesar da Covid-19 e das suas consequências, apesar da crise económico-financeira que vem desde 2014, 2016, o Estado não se exonerou das suas responsabilidades. A oferta de energia para as populações e para as indústrias vem aumentando anos após anos”, lembrou o líder dos Camaradas, que tem mais cinco anos à frente do partido que governa Angola desde 1975.

João Lourenço foi reeleito presidente do MPLA no dia 10 de Dezembro, com 98% dos votos, igualando um feito que já havia alcançado, quando chegou ao topo da hierarquia partidária, em Setembro de 2018, quando substituiu José Eduardo dos Santos, que ocupou o cargo de presidente do MPLA durante 38 anos consecutivos.

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