Israel dissolve Parlamento e ruma para quinta eleição em quatro anos

 Israel dissolve Parlamento e ruma para quinta eleição em quatro anos

Legisladores de Israel votaram nesta quinta-feira, 30, pela dissolução do Parlamento do país e a convocação de novas eleições em Novembro, dando fim a um período de pouco mais de um ano de um governo composto por oito partidos de diversas correntes políticas. Os israelitas irão, assim, pela quinta vez, às urnas em menos de quatro anos.

Yair Lapid, actual ministro do Exterior de Israel e arquitecto do governo de coligação que chega ao fim, se tornará primeiro-ministro interino pouco após a meia-noite desta sexta-feira. Lapid será a 14.ª pessoa a ocupar o cargo, substituindo Naftali Bennett, o chefe de governo com mandato mais curto da história de Israel.

O governo, o primeiro a incluir um partido árabe, caiu pouco mais de um ano depois de ser formado em um movimento histórico por uma ampla coligação, para pôr fim aos 12 anos de poder do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

A moção de dissolução foi aprovada nesta quinta com 92 votos a favor e nenhum contra, após dias de disputas entre deputados governistas e da oposição sobre a data das novas eleições e outras legislações de última hora. As novas eleições foram marcadas para o dia 1 de Novembro.

A medida encerra formalmente um experimento no qual oito partidos de todo o espectro político israelita tentaram encontrar um ponto em comum após um período de impasse prolongado em que o país teve quatro eleições em dois anos.

Prolongamento da crise

As próximas eleições são uma extensão da prolongada crise política protagonizada desde 2018 por Netanyahu e seu processo por corrupção ainda em curso.

As quatro eleições realizadas nos três anos anteriores foram, em grande parte, referendos sobre a aptidão de Netanyahu para governar diante das acusações de ter aceito subornos e cometido fraudes. Netanyahu nega qualquer irregularidade.

Lapid, um ex-apresentador de talk show que lidera um partido de centro-esquerda, deve fazer campanha enquanto primeiro-ministro interino para continuar no posto como a principal alternativa a Netanyahu. Provavelmente, contará com um impulso inicial ao receber o Presidente dos EUA, Joe Biden, no país na próxima semana.

Pesquisas dos media israelitas mostram Netanyahu e seus aliados com vantagens, embora não esteja claro se eles teriam o suficiente para formar uma maioria de 61 assentos no Knesset (Parlamento), de 120 membros. Se nem ele nem qualquer outra pessoa conseguir fazê-lo, Israel pode ir às eleições ainda mais uma vez.

*Texto DW/Associated Press, Lusa e AFP

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