Haiti. Grupo armado toma controlo do Palácio da Justiça

A sede da justiça do país, localizada na capital Porto Príncipe, encontra-se neste momento sob controlo de membros do grupo criminoso Village de Dieu, que terão atacado o local enquanto transportavam armas e disparavam “em todas as direcções”, de acordo com o depoimento de testemunhas ao portal de notícias Vant Bèf Info.

Ainda segundo o website, o assalto deixou vários feridos, não havendo informações sobre a existência de vítimas mortais.

Pelo menos quatro veículos terão sido levados pelos agressores do local, notou ainda Jacques la Fontant.

Esta é a terceira vez que o Palácio da Justiça do Haiti é assaltado. Mais recentemente, em Maio, um grupo armado invadiu e saqueou os escritórios de vários juízes.

O mesmo grupo armado que assaltou o Palácio da Justiça é também responsável pelo sequestro, na sexta-feira, 10, de 38 pessoas que viajavam de autocarro para o sul do país.

“Dois autocarros com destino a Miragoâne (cidade situada a 100 quilómetros oeste de Port-au-Prince) estavam cheios de passageiros quando homens de Village de Dieu os capturaram”, apontou Méhu Changeux, dirigente da Associação de Proprietários e Motoristas do Haiti (APCH).

“Cada autocarro tinha 18 pessoas, além dos condutores”, acrescentou Changeux, sem dar mais informações sobre os possíveis motivos do sequestro.

O rapto das mais de três dezenas de pessoas e o assalto ao Palácio da Justiça ocorrem numa altura em que o domínio dos grupos armados no país das Caraíbas está a crescer sem que a polícia consiga conter a vaga de insegurança.

Desde junho de 2021, a violência dos gangues armados obrigou milhares de pessoas a abandonar as suas casas na zona metropolitana de Porto Príncipe.

Segundo os mais recentes dados da ONU, cerca de 16.500 pessoas permanecem fora de casa devido à violência desencadeada em 2021 nos bairros de Bajo Delmas, Martissant e no centro da capital haitiana.

Alguns gangues controlam bairros importantes da área metropolitana da capital, entre os quais Martissant, no acesso a Porto Príncipe, o que contribuiu para isolar a cidade do sudoeste do país.

Os grupos têm proliferado em parte aproveitando o caos gerado pelo assassínio do Presidente da República, Jovenel Moïse, cometido em julho do ano passado.

*Texto Lusa

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