Frente Patriótica: “O MPLA perdeu a legitimidade política para continuar a governar Angola”

Os proponentes da Ampla Frente Patriótica para Alternância — plataforma política que junta a UNITA, o Bloco Democrático e o projecto político PRA-JA — Servir Angola — manifestaram, esta quinta-feira, 5, a “convicção” de que Angola é hoje um “país falido e sem rumo”, como consequência de o MPLA ter perdido a legitimidade política para continuar a governar Angola.

“É nossa convicção de que o partido Estado MPLA perdeu a legitimidade política para continuar a governar Angola, por manter o Estado capturado, asfixiar as liberdades democráticas, manter de alguma forma a corrupção e manter a economia refém de interesses hegemónicos”, manifestaram os subscritores da declaração política conjunta, apresentada numa das unidades hoteleiras da capital.

A plataforma, que se assume como parte da “conjugação do esforço patriótico para concretizar a alternância democrática em Angola” considera estar haver em Angola um desvio do propósito “de uma verdadeira república”, fruto do que julgam ser o resultado da incapacidade governativa perante os desafios e as crises que o país enfrenta actualmente.

“A incapacidade do governo de resolver os problemas sociais tornou-se estrutural e congénita, tendo transformado a falta de água potável, as doenças endémicas, o desemprego, a educação sem qualidade, a falta de saneamento básico, a incompetência do governo e a corrupção em verdadeiros inimigos do povo angolano”, elencaram.

O estado subversivo da democracia e a alegada delapidação dos recursos do país para a beneficiar “uma meia dúzia de oligarcas” é outra das acusações proferidas na declaração política conjunta que questiona, igualmente, os actuais critérios de atribuição de alguns contratos públicos.

“Prova disso é a persistência na contratação directa das mesmas empresas para as principais empreitadas de obras públicas, quando a maioria das construtoras — que outrora empregavam milhares e milhares de cidadãos e lhes mitigavam a fome, asfixiadas pelo não pagamento da dívida pública —, vão minguando no esquecimento”, .

A Ampla Frente Patriótica para Alternância reclama também da ausência de diálogo entre o MPLA e os seus adversários, sobretudo a nível de matérias em que entendem ser importante que sejam ouvidos os parceiros sociais.

Para a plataforma política, o MPLA “não dialoga sequer com os partidos fora da sua órbita”, criando “uma crise insanável na relação entre governantes e governados, que obriga a nação a rever os fundamentos da relação intrínseca existente entre responsabilidade política e legitimidade governativa”.

A declaração política termina fazendo alusão a um quadro de harmonia e esperança que os proponentes da Ampla Frente Patriótica para Alternância acreditam poderem vir a abrir para todos os angolanos, independentemente das diferenças políticas e ideológicas, baseadas no estabelecimento “sociedade democrática e livre”.

Esta nova Angola, segundo a declaração política da plataforma teria como tónica um conceito de harmonia extensivo a “governantes e governados, ricos e pobres, afortunados e desafortunados, ex-governantes, operários e camponeses, militares e polícias, funcionários públicos. Todos em harmonia, rumo à construção de uma nova nação”.

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