Escassez de combustível no Uíge faz disparar preço da gasolina para 500 kwanzas o litro

A província do Uíge enfrenta, há mais de três semanas, escassez de combustível nos vários postos de abastecimento. A situação está a gerar especulação dos preços do produto, sendo a gasolina a mais afectada, com o preço a disparar de 160 para 500 kwanzas.

De acordo com denúncias feitas pela população daquela província a norte do país, as bombas de abastecimento de gasolina e gasóleo estão sem combustíveis desde a primeira semana de Maio, registando-se inúmeras enchentes nalgumas zonas em que há — apesar de raríssimas vezes — combustível à venda com os preços já exorbitantes.

Alguns gestores das bombas de combustíveis da Sonangol e Pumangol recusaram-se, por exemplo, a falar a uma reportagem do Jornal de Angola (JA) sobre as razões da falta de combustíveis na cidade do Uíge e na vila do Negage — escassez que tem estimulado a subida dos preços nos mercados informais.

Um dos funcionários da estação de armazenamento de combustíveis da Sonangol na cidade do Uíge, cuja identidade não foi revelada, avançou à equipa de reportagem do diário estatal que a falta de combustível é fruto da fraca capacidade do processamento do novo sistema de abastecimento do centro.

“O sistema para abastecer camiões e distribuir nas bombas está muito lento e caso não seja melhorado o mais rápido possível, a situação pode piorar mais”, contou a fonte ao JA.

Em face da situação, vários automobilistas e motociclistas são obrigados a pernoitar nos pouquíssimos postos em que se regista a comercialização do combustível, apesar de o preço estar três vezes mais acima do preço oficial.

Pedro Pires Cardoso, um automobilista que faz a via Luanda/Uíge, mostrou-se surpreendido com a escassez de combustível, um cenário distante do que se vive em Luanda, de onde saía.

“Cheguei aqui de madrugada, com a necessidade de regressar em menos de 24 horas, mas estou impedido de o fazer, porque não tenho certeza se será possível abastecer a viatura”, disse o automobilista, que se mostrou agastado com a situação.

Dos preços apurados, um reservatório de gasolina de 20 litros, por exemplo, que antes custava 4 mil kwanzas, está a ser adquirido ao preço de 6 mil kwanzas, ao passo que a mesma quantidade de gasóleo é vendida entre os 4.500 e os cinco mil kwanzas.

A escassez de combustível e a consequente subida dos preços do produto também se reflecte no preço dos transportes públicos e táxis (vulgo candongueiros), que, dos 150 kwanzas de preço convencional, passaram a cobrar 250 kwanzas, na circulação feita no interior da cidade da província.

Quanto ao serviço de táxis feitos entre vilas e municípios situados fora da cidade, os preços são ainda mais elevados. Dependendo da distância, a corrida custa nunca abaixo dos 1.500 kwanzas.

A situação também afectou os transportes públicos inter-municipais que reduziram o fluxo regular, aumentando a procura, segundo apurou a equipa de reportagem do Jornal de Angola naquela província.

Até então, não houve ainda o pronunciamento do governo provincial a respeito da situação, nem tão-pouco o representante local da Sonangol Distribuidora.

*Com Jornal de Angola

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