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Diplomata dos EUA acredita que Rússia interferiria em eleições em África

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O diplomata norte-americano Charles Ray disse, este domingo, 5, à Lusa que a sua experiência “em lidar com os russos” em muitas partes do mundo “torna fácil de acreditar” que a Rússia interferiria em eleições no continente africano.

Charles Ray comentava assim um projecto de lei dos Estados Unidos da América (EUA), que tramita no Congresso do país, que obrigaria Washington a punir os governos africanos que favorecem as actividades “malignas” russas no continente.

Segundo especialistas, os autores deste projecto de lei parecem ter em mente, por exemplo, os alegados esforços de representantes do governo russo para subornar candidatos nas últimas eleições de Madagáscar e as actividades em África da Associação para a Investigação Livre e Cooperação Internacional (AFRIC), uma organização russa de observação eleitoral que tem um histórico de envolvimento em vários esforços pró-Kremlin.

Questionado sobre o que é que o Presidente russo, Vladimir Putin, ganharia em interferir em eleições no continente africano, Charles Ray, que já serviu como embaixador dos EUA no Cambodja e no Zimbabwe, afirmou que a sua experiência em lidar com cidadãos russos mostra que esse cenário seria possível.

“Suponho que a única resposta que posso dar a essa pergunta é fazer outra pergunta: o que Putin tinha a ganhar interferindo nas eleições dos EUA? Não posso falar de provas das acções russas em África porque não estou no governo e não tenho acesso a essas informações confidenciais. No entanto, a minha experiência em lidar com os russos em muitas partes do mundo, incluindo em África, torna fácil acreditar que eles fariam isso”, advogou.

Em entrevista à Lusa, o diplomata, que foi também o primeiro cônsul-geral dos EUA na cidade de Ho Chi Minh, no Vietname, e que serviu durante 20 anos no exército norte-americano, comentou ainda o facto de um número substancial de nações africanas se ter abstido de condenar a actuação da Rússia na Ucrânia na Assembleia-Geral das Nações Unidas (ONU), avaliando que governos africanos “vêem nas relações com a Rússia e China uma forma de se manterem no poder”.

“De certa forma, posso entender a motivação daqueles países que se abstiveram ou não votaram [em resoluções que condenavam a actuação da Rússia na Ucrânia]. Acho que foi falta de visão da parte deles, porque não condenar o ataque da Rússia ao sistema internacional de ordem e respeito pela soberania nacional acabará por prejudicá-los também”, observou.

“Novamente, esta é a minha opinião, mas alguns dos países dependem da Rússia e da China para obter apoio para construir infra-estruturas críticas e parecem estar a seguir o caminho de menor resistência, evitando uma votação que os antagonize (…). Alguns governos africanos, infelizmente, vêem nas relações com a Rússia e com a China uma forma de se manterem no poder, o que não ajuda o seu povo, nem o seu país”, frisou.

O diplomata considerou ainda “compreensível” que os EUA tenham ficado desapontados com a posição dos países de África nessa votação.

Contudo, Ray sublinhou que não está provado, “e provavelmente não poderá ser provado”, que este projecto que tramita no Congresso norte-americano, e que obrigaria Washington a punir os Governos africanos que favorecem as atividades “malignas” russas no continente, é uma expressão dessa decepção.

*Texto Lusa

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