“Angola vai continuar a ser um país dependente do petróleo, pelo menos nos próximos dez anos”, prevê Standard Bank

 “Angola vai continuar a ser um país dependente do petróleo, pelo menos nos próximos dez anos”, prevê Standard Bank

O economista-chefe do Standard Bank para Angola, Fáusio Mussá, considerou que independentemente do resultado das eleições gerais de Agosto próximo, o país vai continuar a ser dependente do petróleo pelo menos durante os próximos dez anos.

As declarações foram prestadas à imprensa durante uma apresentação sobre a economia angolana, organizada pelo Standard Bank, que visou analisar as oportunidades de investimento em Angola e Moçambique, que decorreu na manhã de terça-feira, 26, em Lisboa.

Fáusio Mussá ajuizou que “foram montadas bases muito sólidas para o país continuar a implementar reformas”, mas a dependência da economia angolana às exportações do crude ainda é muito acentuada e não será revertida assim tão cedo.

“O sector petrolífero representa 95% das exportações, 33% do volume de exportações são receitas fiscais e o petróleo vale 33% do Orçamento [Geral do Estado]. Por isso, não é realista pensar que nos próximos dez anos Angola atinja um alto nível de diversificação; será um objectivo contínuo, mas vai levar muito tempo para que a economia se diversifique mais e se torne menos dependente do petróleo”, afirmou.

Durante a apresentação, o economista passou em revista os últimos anos, concluindo que “houve um esforço muito grande nos últimos cinco anos, mas existe a necessidade de continuar a fazer reformas”.

No quadro macroeconómico, por exemplo, o Standard Bank antevê uma taxa de câmbio nos 440 kwanzas por dólar, o que compara com os 650 previstos no OGE, e uma média de 93,6 dólares norte-americanos por barril este ano, o que é positivo para o país dada a dependência do petróleo.

Sobre a inflação, o banco prevê que a taxa se situe entre os 12 e os 15% até 2025 e perspectiva uma “remoção gradual dos subsídios aos combustíveis, porque se o país não fizer essa reforma dos preços dos combustíveis, alguns investimentos estrangeiros não vão ser atractivos”, alertou.

Crescimento previsto do PIB de 2,5% é “um número muito fraco”

No mesmo encontro, Fáusio Mussá considerou também que o previsto crescimento médio anual de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2025 seja “um número muito fraco” para o país, visto que o crescimento médio anual da população angolana está acima de 3%.

“Para Angola, prevemos uma média anual de crescimento de 2,5% entre 2020 e 2025, o que é um número muito fraco, num país onde a população cresce acima de 3% todos os anos”, reforçou.

O Standard Bank Group é o maior banco privado a operar em África. Actua em 38 países, dos quais 18 são africanos, incluindo Angola. Oferece serviços bancários e financeiros a indivíduos, empresas, instituições e corporações.

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