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Angola gasta 850 mil USD por dia na importação de frango

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Angola gasta cerca de 850 mil dólares norte-americanos por dia para importar frango, revelou o ministro da Indústria e Comércio, Rui Miguêns de Oliveira, durante a abertura da ‘Conferência sobre Desenvolvimento do Sector Avícola’, realizada em Luanda, nesta quinta-feira, 5.

Organizado pelo Fundo Soberano de Angola (FSDEA), com o apoio da Corporação Financeira Internacional (IFC, na sigla inglesa), o braço financeiro do Banco Mundial, a ‘Conferência sobre o Desenvolvimento do Sector Avícola’ reflecte, segundo Rui Miguêns de Oliveira, o objectivo do executivo em transformar Angola num produtor de carne de frango auto-suficente e, num futuro não muito distante, exportador.

Em 2025, Angola importou cerca de 228 mil toneladas de frango, o equivalente a mais de 312 milhões de dólares (quase 300 mil milhões de kwanzas no câmbio actual.

Apesar de as importações terem diminuído no ano passado 18,64% face a 2024, estas continuam a representar um peso significativo na economia.

“Cada dólar enviado para o estrangeiro é um dólar que não é investido” na indústria angolana, na agricultura e na criação de emprego para os jovens, representando uma perda de oportunidades para a criação de riqueza”, afirmou o governante, quando discursava.

Decisões de 2025

Em Agosto do ano passado, o governo decidiu cortar a entrada no país de certos alimentos de origem animal provenientes da carne bovina, suína e de aves, sob argumento de que já existia capacidade de produção interna para as necessidades existentes.

Num comunicado, emitido pelo Ministério da Agricultura e Florestas, o executivo decretava a interrupção de emissões de licenças para importação de determinados produtos, nomeadamente miudezas, dobrada, rins, fígado, coração e pulmões, asa de peru, asa de galinha, asa de pato, moela, coração, dorso, pescoço e fígado, rabinho de bovino, cabeça de bovino, cоха de frango, coxa de galinha rija, coxa de peru, coxinha e pescoço de porco.

Novas metas

Durante a conferência, o ministro Rui Miguêns de Oliveira destacou que, entre 2019 e 2025, a produção nacional de frango registou um crescimento considerado “encorajador”, passando de 28 mil toneladas para cerca de 63 mil toneladas, ainda assim, insuficiente para suprir as necessidades de consumo anuais, estimadas em 300 a 360 mil toneladas.

Também a produção de milho, principal componente da alimentação animal, aumentou no mesmo período de 2,8 milhões para 3,5 milhões de toneladas, o que, segundo o governante, demonstra um potencial de resposta da agricultura nacional.

“Ao darmos ferramentas aos nossos produtores, a nossa terra responde e os nossos produtores expandem a produção”, afirmou, acrescentando que, para atingir as metas definidas no Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) é necessário acelerar o ritmo de crescimento.

Motor da diversificação económica

Rui Miguêns de Oliveira considerou que a avicultura tem condições para se tornar “um motor da diversificação económica”, salientando que o sector mobiliza toda uma cadeia de valor, desde a agricultura e a indústria até à logística e serviços.

O titular da pasta da Indústria e Comércio apontou ainda a necessidade de reforçar os recursos humanos e infra-estruturas de energia e água, factores que, segundo disse, “incorporam valor e geram oportunidades de investimento e emprego”.

Segundo o ministro, a auto-suficiência alimentar está no centro das propriedades do Plano de Desenvolvimento Nacional 2023-2027, para garantir alimentos à população e também para reduzir a exposição do país a choques nos preços internacionais e a interrupções nas cadeias logísticas globais.

Financiamento

Rui Miguêns referiu que o actual contexto internacional, marcado por alterações nas cadeias logísticas associadas ao petróleo e circulação de mercadorias do médio oriente, pode afectar o comércio global e reforça necessidade de aumentar a produção interna.

Entre os principais desafios do sector, o governante destacou o acesso ao financiamento, reconhecendo que o capital continua a ser “um dos maiores entraves à expansão da produção”.

“Precisamos de instrumentos financeiros que compreendam o risco do agronegócio e os ciclos biológicos das aves”, afirmou.

Rui Miguêns de Oliveira defendeu ainda que o país deve apostar numa competitividade estrutural que permita consolidar bases permanentes para a produção de frango, apelando ao reforço das parcerias entre o sector público e privado.

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