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“A PGR não quer que eu esclareça a verdade dos factos”, afirma Isabel dos Santos à DW África

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A empresarial angolana Isabel dos Santos afirmou, em entrevista exclusiva à DW África, divulgada na íntegra esta quinta-feira, 24, que a Procuradoria-Geral da República (PGR) não lhe está a permitir pronunciar-se a respeito das acusações a que está a ser alvo.

A filha do antigo Presidente da República José Eduardo dos Santos, entrevistada com recurso a uma plataforma tecnológica, alegou estar a ser alvo de uma perseguição política, e negou ter qualquer processo judicial com evidências que sustentem as acusações proferidas pela PGR angolana e pelo Estado angolano.

“Eu não tenho problemas nenhuns em esclarecer. O que eu desconfio é que a PGR [angolana] não quer que eu fale, não quer que eu esclareça”, disse.

Isabel dos Santos, que é supostamente alvo de um mandado de captura internacional, solicitado à Interpol pela PGR, nega estar arrolada em quaisquer processos judiciais internacionais, afirmando que “o que estão a decorrer em vários países são inquéritos”, motivados pelas “informações falsas” divulgadas no âmbito da investigação do ‘Luanda Leaks’.

Ainda segundo a empresária, as notícias divulgadas no ‘Luanda Leaks’ são falsas, e considerou serem “manipulação do Estado angolano”. “’O Luanda Leaks’ foi uma manipulação grosseira. Foi uma encomenda do Estado angolano que, infelizmente, decidiu ter-me a mim como alvo por razões políticas e por perseguição política”, acusou.

A empresária, que chegou a ser considerada a mulher mais rica de África pela revista Forbes, disse que o governo, liderado por João Lourenço, “utilizou e manipulou jornalistas, colocando nas suas mãos informações que não eram verdadeiras, convencendo-os de factos que não eram reais, e os jornalistas efectivamente criaram uma série de alegações nos jornais”.

Questionada se foi notificada ou se tem conhecimento sobre o alegado mandado de captura internacional solicitado pela justiça angolana, a antiga presidente do Conselho de Administração da Sonangol afirmou que não foi notificada e nem teve contacto com nenhuma documentação.

“Eu não tive contacto [com o documento], e apenas conheci pela imprensa. Acredito que as alegações que a PGR esteja a fazer devam ser as mesmas que tem vindo a fazer sempre: ‘que eu não paguei aos consultores, que na Sonangol não houve consultores, que o dinheiro dos consultores foi para a engenheira Isabel dos Santos e que o dinheiro do dividendo da Exem, [pertencente a Sindika Dokolo], foi desviado’. São as mesmas acusações de sempre. Não são novas”, minimizou.

“A Sonangol sempre foi o foco do roubo”

Em relação aos desvios dos fundos da petrolífera estatal Sonangol, enquanto esteve na liderança da empresa, Isabel dos Santos defendeu-se, dizendo que a “a Sonangol sempre foi o foco de roubo” e que ela retirou a empresa da falência, mas nunca mexeu no dinheiro para investir em seus negócios privados.

“Quando eu fui para a direcção da Sonangol, em 2016, eu já tinha as minhas empresas constituídas. Eu já era uma pessoa considerada rica. Eu fui para a Sonangol com uma mentalidade de empreendedora, para ajudar a tirar a empresa da situação de falência. Quando lá cheguei encontrei muitas coisas erradas, acabei com as más práticas na gestão e ganhei muitos inimigos”, esclareceu a empresária.

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