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Estudo da Deloitte: 62% dos bancos angolanos não realizam auditoria contínua e 70% ‘driblam’ directiva do BNA

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Um estudo da conceituada consultora financeira Deloitte, que buscou avaliar a função e maturidade da auditoria interna na banca angolana, revelou que 62% das instituições bancárias não têm procedimentos de auditoria contínua e à distância, o que leva a que 70% delas consigam ‘driblar’ uma directiva sobre segurança de dados do Banco Nacional de Angola (BNA).

De acordo com o relatório da Deloitte, o estudo envolveu 13 agências bancárias, que, em conjunto, detêm uma quota de mercado de 88%, ou seja, são instituições que, de certo modo, têm uma visão clara sobre os desafios enfrentados pelas direcções de auditoria interna no país.

Além de 62% dos bancos angolanos não possuírem procedimentos de auditoria contínua e à distância, o estudo também apurou que 62% não recorrem ao processo de colecta e organização de dados para gerar insights estratégicos para a tomada de boas decisões.

Por outro lado, a Deloitte verificou que 70% dos bancos também não possuem um software de gestão de suporte à Direcção de Auditoria Interna ou simplesmente DAI, mecanismo importante para estabilidade e transparência no contexto da auditoria.

O estudo revelou também que, no contexto do planeamento e execução do plano de auditoria, 62% das direcções dos bancos não preparam planos de auditoria pluri-anuais, sendo que 92% preparam com base numa avaliação de riscos, apesar de serem identificadas diversas oportunidades de melhoria a este nível.

Por outro lado, a análise de uma das maiores firmas do mundo especializada em serviços de consultoria, auditoria e gestão de riscos mostrou que 70% das instituições bancárias angolanas driblam a Directiva n.º 11/DSB/DRO/2021, do banco central, referente ao plano de continuidade de negócio.

Em termos gerais, a referida directiva estabelece as normas e procedimentos para a comunicação de incidentes operacionais de natureza tecnológica e de segurança de informação por parte das instituições financeiras sob a sua supervisão, cujo objectivo principal é padronizar o reporte de falhas críticas que possam afectar a continuidade do negócio ou a integridade dos dados dos clientes, o que, segundo a Deloitte, 70% dos bancos ainda não realizaram auditorias no âmbito do referido instrumento normativo.

Em gesto de instrução, a Deloitte aconselhou os bancos a realizarem planos de auditoria pluri-anuais, alinhados com a estratégia definida.

A consultora defendeu a inclusão dos riscos de Tecnologias de Informação (TI) no universo e no plano de auditoria, de forma a garantir a avaliação das referidas temáticas, bem como a preparação do plano de auditoria com base na avaliação de riscos pela segunda linha de defesa.

Esse estudo de mercado, refere a Deloitte, procura oferecer uma visão abrangente sobre a função da auditoria interna no mercado bancário, destacando a sua relevância para o reforço da boa governação, da transparência e da confiança no Sistema Financeiro Nacional (SFN).

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