Zambian presidential candidate for the opposition party United Party for National Development (UPND) Hakainde Hichilema gives a press conference at his residence, in Lusaka on August 11, 2021. – The UPND, the main rival to the ruling Patriotic Front (PF), is eager to tap into mounting disillusionment in the city’s poorest neighbourhoods, where dissent has grown since the last 2016 poll. (Photo by Patrick Meinhardt / AFP)

Zâmbia. Novo PR a braços com uma dívida com a China da qual não se conhece a magnitude

O novo Presidente da Zâmbia, Hakainde Hichilema, eleito num clima marcado pela indignação social e reivindicações por melhor tabela salarial — factores que ditaram em parte a queda do ex-chefe de Estado zambiano—, tem agora a delicada missão de renegociar a dívida externa do país, sendo que um terço desta deverá ficar em poder da China.

O país africano que já se encontrava em situação de inadimplência, isto é, de incumprimento de pagamento da sua dívida externa, quando Hichilema assumiu o poder em Agosto deste ano, prepara-se agora para reestruturar o seu passivo, muito embora não se conheça ao certo a sua real magnitude.

Poucos dias depois de vencer as eleições presidenciais, a 12 de Agosto de 2021, Hakainde Hichilema descobriu um “buraco maior do que o esperado”nas finanças do país. Esse ‘buraco’ da dívida engoliu quase 40% da receita tributária até que o país se declarou inadimplente, em Setembro de 2020.

Hichilema tem agora enormes desafios durante o seu mandato. O primeiro dos quais será encontrar todas as dívidas, inclusive as que se extraviaram.  Presume-se, entretanto, que um departamento ministerial tenha pedido emprestado dinheiro a um credor chinês sem notificar ninguém no governo, ou que o no executivo descobriu, após uma inadimplência inesperada, que deve pagar um empréstimo que o anterior havia garantido.  De acordo com cálculos do laboratório AidData da American University William & Mary, só a dívida oculta da Zâmbia para com a China representa 8% do seu PIB.

“Agora que estamos no poder, começamos a ver que os números oficiais da dívida não correspondem realmente aos números reais”, disse Hichilema à revista Bloomberg, no final de Agosto, uma semana após a sua eleição.

Ao que tudo indica, os acordos foram negociados fora dos canais habituais, ou seja, a dívida foi acumulada sem autorização do Parlamento zambiano. Porém, Hichilema não quer esconder nada da dívida abismal da Zâmbia, que aumentou sete vezes em seis anos, tendo o cuidado de não assustar os investidores.

“Os credores da Zâmbia não precisam de se preocupar com a nossa situação financeira. Chegaremos a uma solução amigável e benéfica para todos”, escreveu Hichilema na rede social Twitter alguns dias depois da sua eleição.

“Teremos que colocar o cinto, porque ao que vamos assistir não vai ser bonito”, alertou recentemente um diplomata zambiano sobre a situação financeira do país.

Nok Nogueira

Nok Nogueira

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