Tunísia. Manifestantes acusam PR de “golpe de Estado” por demitir governo e assumir o Poder Judicial

Milhares de pessoas saíram à rua da capital tunisina para acusarem o Presidente da Tunísia, Kais Saied, de “golpe de Estado”, depois deste invocar “perigo iminente” e demitir o governo, assumindo o Poder Judicial. A Assembleia daquele país está suspensa há quase quatro meses.

Os manifestantes acusam o Presidente Kais Saied de “levar a Tunísia à falência” e de intimidar os meios de comunicação social.

“Muitos levam grandes cartazes com impressões de fotografias de jornalistas e membros do Parlamento, advogados, que têm sido detidos ou presos desde 25 de Julho”, confirmou a jornalista Elizia Volkmann, da Al-Jazeera.

Jawher Ben Mbarek, um dos líderes dos protestos, citado pela agência Reuters, disse que estão sob governação de um só homem desde 25 de Julho […] e que iriam se manter nas ruas até que as estradas fossem abertas e os cercos levantados.

A 25 de Julho, com a Tunísia mergulhada num impasse político e numa grave crise socioeconómica, o chefe de Estado demitiu o primeiro-ministro, suspendeu o Parlamento e assumiu o Poder Judicial.

Dois meses depois, Kais Saied emitiu um decreto que suspendeu vários artigos da Constituição tunisina e impôs “medidas excepcionais” para vigorarem enquanto as “reformas políticas” são preparadas, incluindo emendas à Constituição de 2014.

O funcionamento do Parlamento continua suspenso, assim como os salários e benefícios dos deputados, e Kais Saied legisla sobre os próprios poderes por decreto. Mesmo depois de ter nomeado (em 29 de Setembro) a cientista Najla Bouden como primeira-ministra e de esta ter formado um novo governo, o chefe de Estado continua a presidir ao Conselho de Ministros.

*Com o Público

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