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Somália. Governo ameaça com fecho de empresas que financiem Al-Shabaab

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O governo da Somália avisou, no sábado, que vai encerrar e retirar a licença a todas as empresas que façam pagamentos ao grupo fundamentalista Al-Shabaab, que impõe impostos paralelos à população numa grande parte do país para se financiar.

O ministro do Comércio e Indústria da Somália, Jibril Abdirashid Haji, acusou sábado empresários ou empresas que pagam ao grupo terrorista de estarem “directamente envolvidos no assassinato de civis” e disse que os seus bens seriam confiscados, de acordo com relatos dos meios de comunicação locais citados pela agência de notícias EFE.

Apesar destas acusações por parte do governo, peritos dizem que as lojas e empresas em algumas das principais cidades do país, incluindo a capital, Mogadíscio, são forçadas a pagar estas taxas ao grupo rebelde para poderem operar.

De acordo com um estudo publicado pelo think tank (grupo de reflexão) Somali Hiraal Institute, em Outubro de 2020, o Al-Shabaab recolheu até 15 milhões de dólares por mês através destes impostos, que são cobrados sobre diferentes atividades comerciais, tais como a agricultura, a importação de bens através do porto ou o setor imobiliário.

O pagamento destes impostos “não é voluntário”, segundo o estudo, mas “a única motivação que move os contribuintes do Al-Shabaab é o medo e uma ameaça credível às suas vidas”.

As autoridades somalis anunciaram sábado, em comunicado, que mataram mais de 30 combatentes deste grupo terrorista e recuperou o controlo de uma cidade estratégica no centro-sul da Somália.

De acordo com uma declaração divulgada também sábado pelo governo somali, as forças armadas do país recuperaram o controlo sobre a cidade de Hawadley — cerca de 40 quilómetros a norte de Mogadíscio, e na região de Middle Shabelle — localizada numa rota de abastecimento importante para os terroristas.

“O Exército Nacional matou 30 elementos terroristas durante a batalha, incluindo três líderes”, disseram as autoridades.

O Presidente da Somália, Hassan Sheikh Mohamud, declarou uma “guerra total” a 23 de Agosto para “eliminar” o Al-Shabaab, cujos membros tinham antes apreendido um popular hotel em Mogadíscio durante 30 horas e matado 21 pessoas.

Desde então, várias operações militares apoiadas pelos Estados Unidos foram levadas a cabo contra os fundamentalistas, que no mês passado mataram “mais de 100 membros” do Al-Shabaab, segundo o governo somali.

O Al-Shabaab, um grupo filiado desde 2012 na rede Al-Qaeda, realiza frequentemente ataques em Mogadíscio e em outras partes da Somália para derrubar o governo central — apoiado pela comunidade internacional — e estabelecer pela força um Estado islâmico (ultra-conservador) de estilo Wahhabi.

O grupo fundamentalista controla áreas rurais no centro e sul da Somália e também ataca países vizinhos como o Quénia e a Etiópia.

A Somália encontra-se em estado de guerra e caos desde 1991, quando o ditador Mohamed Siad Barre foi derrubado, deixando o país sem um governo eficaz e nas mãos de milícias e senhores da guerra islâmicos.

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