Rússia. Órgão de imprensa ligado à oposição declarado “agente do estrangeiro”

O Ministério da Justiça russo anunciou esta sexta-feira, 23, que o portal The Insider foi acrescentado à lista de “agentes do estrangeiro” pelo facto de a organização estar registada na Letónia. O referido órgão de informação colabora com o grupo de investigação Bellingcat na origem de diversas revelações sobre os serviços secretos russos.

O estatuto ora declarado ao órgão russo pode comprometer o seu funcionamento, juntando-se assim aos outros dois órgãos de comunicação russos — Meduza e Vtimes — que em Abril e Maio deste ano tinham já sido declarados “agentes do estrangeiro”, motivando uma queda das receitas de publicidade que no final de algumas semanas implicou o encerramento do Vtimes.

Diversos jornalistas do órgão Proekt, declarado na passada semana “indesejável” e na prática proibido pelas autoridades, também foram acrescentados à lista de “agentes do estrangeiro” publicada na página digital do Ministério da Justiça.

O The Insider foi fundado em 2013 por Roman Dobrokhotov, um militante político de 37 anos que na sua juventude liderou designadamente o movimento de oposição “Nós”.

O portal publicou diversas investigações realizadas em colaboração com o também portal de investigação Bellingcat, sobre o envenenamento do duplo espião Serguei Skripal em 2018, o assassínio em Berlim de um georgiano de origem chechena em 2019 ou o envenenamento de Alexei Navalny em 2020, tendo acusado nas três ocasiões as autoridades russas.

“A redação continuará a trabalhar com a sua atual composição e manterá a política editorial”, indicou o The Insider em comunicado. O The Insider “funcionará como funcionava”, assegurou à imprensa da oposição Roman Dobrokhotov, explicando que o portal está sediado na Letónia, não possui uma delegação na Rússia e que “todas as leis insanas não se aplicam ao The Insider”.

Na Rússia, as organizações ou indivíduos “agentes do estrangeiro” devem, segundo uma lei de 2012, registar-se junto das autoridades, efectuar prolongadas disposições administrativas e indicar claramente o seu estatuto nas suas publicações.

Desde a chegada ao poder de Vladimir Putin, em 2000, que a Rússia é acusada de perseguição a qualquer forma de liberdade de expressão na televisão, mas os media digitais puderam funcionar com relativa liberdade durante um longo período.

À medida que a sua audiência se foi reforçando, em particular entre as jovens gerações, começaram por sua vez a ser visados pelas autoridades desde o início de 2021, coincidindo com o regresso à Rússia do opositor Alexei Navalny, desde então na prisão.

*Com a Lusa

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