Moco não acredita na vitória do MPLA e aconselha “um pacto pré e pós-eleitoral” para se evitar males maiores

O antigo primeiro-ministro angolano e ex-secretário-geral do MPLA Marcolino Moco não acredita que o partido do governo ganhe as próximas eleições de 24 de Agosto. Em entrevista à DW África, Moco considerou que uma vitória do MPLA seria, no mínimo, por via de um “milagre” que se traduziria na “fabricação” dos resultados, e aconselha, desde já, uma espécie de pacto de estabilidade pré e pós-eleitoral para evitar males maiores.

“Imaginar que o MPLA vai ganhar [as eleições gerais] é qualquer coisa de miraculoso. Mas pode acontecer uma vitória fabricada e que depois venha a ser aceite por questões pragmáticas. Então, a hipótese da oposição ganhar é muito [maior] se houver transparência”, admitiu Marcolino Moco, que propõe “um pacto pré e pós-eleitoral para tranquilizar as partes de que, ganhe quem ganhar, não haverá problemas de maior”.

Segundo o ex-secretário-geral do MPLA, só um pacto pré e pós-eleitoral haveria de permitir que houvesse “cooperação na passagem de pastas e, sobretudo, a garantia daqueles que estiveram no poder durante muitos anos de que os seus negócios, desde que sejam a favor do país, não serão beliscados”.

Questionado se estaria disposto a fazer parte de um hipotético governo que viesse a resultar da “vitória” da oposição, Moco recusou, afirmando que “prefere continuar a jogar o papel de mais-velho e de conselheiro da nação”, mantendo-se fora dos cargos políticos, como aliás fez nos últimos 20 anos, com uma intervenção cívica ou política forte, muito embora reconheça que tal postura ainda lhe tem causado alguns dissabores assinaláveis.

“[Causado] a mim e à minha família, porque estamos perante um regime que é vingativo e que pratica represálias de todo o tipo. No entanto, estou preparado para continuar a jogar esse programa até ao fim da minha vida”, frisou.

Candidata a Vice-Presidente da República

O MPLA e o seu candidato João Lourenço vão a voto a 24 de Agosto com uma mulher como candidata a Vice-Presidente da República. Trata-se de Esperança Maria Eduardo Francisco da Costa, uma figura sem qualquer peso político no seio do partido que sustenta o governo desde 1975.

Moco minimiza o simples facto de se tratar de uma mulher, uma vez que, reconhece, no MPLA existem várias outras mulheres e de maior peso político do que a agora candidata a Vice-Presidente da República.

O problema não é a indicação de uma mulher. O problema é que há muitas mulheres dentro do MPLA muito mais conhecidas, com mais experiência. Se o MPLA se agarra à ideia de que é preciso promover as mulheres, então deve promover mulheres competentes”, assinalou Marcolino Moco, atribuindo a indicação de Esperança da Costa como candidata a Vice-PR como parte de um “alinhamento estratégico” promovido pelo líder dos camaradas.

“Essa senhora [Esperança Maria Eduardo Francisco da Costa] até pode ser tecnicamente competente, mas é preciso competência política que ela, naturalmente, não deve ter, porque não é conhecida. Faz suspeitar que é a continuação de uma opção do Presidente João Lourenço de trabalhar com pessoas menos experientes, que provavelmente [batem] palmas mais facilmente, aplaudindo tudo o que o chefe disse, igual ao que muitos líderes africanos gostam”, comentou.

*Com Tainã Mansani/DW África

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