Líder da ala dissidente da IURD ‘orienta’ governo a banir canal de evangelização e este obedece

A Direcção Nacional de Informação e Comunicação Institucional do Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social (MINTTICS) suspendeu, sem aviso prévio, as emissões da programação de evangelização do canal FÉ TV, da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), transmitidas pelas plataformas Multichoice e TV Cabo, anunciou a instituição em nota de imprensa.

“Os programas da Igreja Universal do Reino de Deus foram suspensos, sem nenhuma prévia notificação, privando desta forma milhares de lares da programação da Igreja, além de total falta de fundamentação para o referido acto”, lê-se no documento da IURD.

O MINTTICS informou que a ordem da “suspensão imediata” do canal é resultado de um pedido apresentado pelo bispo Valente Bizerra Luís, líder da ‘ala dissidente’, e identificado pelo Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos (INAR) como entidade responsável pela IURD em Angola, sustentando que “os conteúdos actuais do canal não representam a Igreja Universal”.

O comunicado, assinado pelo ‘líder da ala brasileira’ da IURD — que o governo angolano diz não reconhecer —, bispo António Miguel Ferraz, refere que a igreja tomou conhecimento da solicitação de suspensão imediata da programação de evangelização por meio de uma nota da Direcção Nacional de Informação e Comunicação Institucional do MINTTICS, datada de 10 de Junho.

De acordo com a IURD, “a rebelião sem precedentes” que se instalou na Igreja desde 2019, e levou à criação de duas alas “tem afligido os milhares de fiéis de Cabinda ao Cunene, sendo esse mais um golpe desumano e brutal contra as centenas de missionários, milhares de obreiros, jovens e simpatizantes da igreja por toda a Angola”.

A Igreja Universal do Reino de Deus prometeu continuar a busca pela “restituição da legalidade”, com o intuito de prosseguir a levar a palavra do evangelho para os sofridos e excluídos das sociedades.

As disputas na IURD tiveram início em Novembro de 2019, quando um grupo de dissidentes se afastou da direcção brasileira, por supostas “práticas contrárias à religião”, como a exigência da realização da vasectomia, castração química, evasão de divisas para o exterior do país e abuso de autoridade, dando assim origem a duas alas.

Em Abril de 2021, o Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social suspendeu a licença de três canais de televisão, entre os quais a Record TV África, por alegadas inconformidades legais.

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