**FOTO ARQUIVO** RIO DE JANEIRO, RJ, 04.04.17 – O vice-presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Nguema Obiang, na Feira LAAD Defense e Security 2017. (Foto: Paulo Campos/Folhapress)

Guiné Equatorial responde às sanções contra o seu Vice-PR e encerra embaixada em Londres

A Guiné Equatorial decidiu hoje, 26, encerrar a sua embaixada em Londres, após as sanções impostas pelo Reino Unido por alegada corrupção contra o seu Vice-Presidente, Teodoro Obiang Mangue, por envolvimento na apropriação indevida de fundos do Estado e desvio para contas bancárias pessoais, realização de contratos corruptos e solicitação de subornos.

“A primeira decisão que o governo adoptou foi a de proceder ao encerramento total da nossa missão diplomática em Londres”, anunciou nesta segunda-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros, Simeon Oyono Esono, na televisão estatal TVGE.

Na sexta-feira, 23, o governo britânico decidiu impor sanções a Teodoro Obiang Mangue, filho do Presidente da República, Teodoro Obiang, sob alegação de que o estilo de vida luxuoso de ‘’Teodorin’, como é conhecido, é “inconsistente com o seu salário oficial como ministro do governo”.

Entre os bens do filho de Teodoro Obiangue Nguema consta uma mansão de 100 milhões de dólares, em Paris, automóveis de luxo, incluindo Ferraris, Bentleys e Aston Martins e uma colecção de objectos que pertenciam ao cantor Michael Jackson, com destaque para uma luva revestida de cristais usada na digressão do álbum ‘Bad’, avaliada em 275.000 dólares.

A primeira reacção do governo da Guiné Equatorial surgiu no sábado, 24, com um “comunicado de repulsa” contra o governo britânico, publicado na rede social Facebook, no qual o Ministério dos Assuntos Exteriores e da Cooperação a rejeitava as sanções financeiras “unilaterais e ilegais” impostas a Teodorín.

As autoridades de Malabo manifestaram uma “enérgica repulsa” às sanções “juridicamente infundadas” e exigiram que as sanções fossem levantadas com “a maior brevidade possível”. Uma das sanções imposta foi a da proibição de viajar ao país e o congelamento de activos. Um “gesto inamistoso” por parte do governo britânico, na visão do executivo da Guiné Equatorial.

O ‘regime de Teodoro Obiang Nguema’, de 79 anos, e no poder há 42 anos, defende-se, alegando que Teodoro Mangue “nunca realizou qualquer investimento no Reino Unido”, assim como “nunca teve nenhum processo judicial no Reino Unido ou Guiné Equatorial por nenhum motivo, muito menos por má utilização de fundos públicos”.

Teodorín foi condenado em Fevereiro de 2020, em segunda instância, a três anos de prisão suspensa e ao pagamento de uma multa efetiva de 30 milhões de euros ao Estado francês por ter adquirido indevidamente património considerável em França com dinheiro desviado dos cofres da Guiné Equatorial.

Segundo a justiça francesa, os juízes estimam um branqueamento de capitais na ordem dos 160 milhões de euros.

“As sanções sem fundamento impostas pelo governo britânico têm a sua justificação em manipulações, mentiras e iniciativas malévolas que promovem certas organizações não-governamentais contra a boa imagem da Guiné Equatorial e dos seus representantes legítimos, nas quais, infelizmente, se basearam alguns Estados para levar a cabo processos judiciais” contra o Vice-presidente da República, refere.

Também no sábado, a organização de defesa dos direitos humanos e anti-corrupção EQ Justice saudou a decisão, com o director executivo, Tutu Alicante, a considerar que “é bem-vinda para o povo da Guiné Equatorial”.

“É um passo na direcção certa, que nos lembra que a corrupção não é um crime sem vítimas e que os dias dos cleptocratas que usavam o Ocidente como cofre para os seus bens saqueados estão rapidamente a chegar ao fim”, frisou Alicante.

*Com a Lusa

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