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Guiné-Bissau. PAIGC dividido em dois congressos para eleger líder

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Um grupo de dirigentes e militantes descontentes que se auto-intitula “grupo de reflexão” já tinha pedido publicamente a antecipação do congresso por o presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira (DSP), se encontrar em prisão domiciliária.

O grupo anunciou hoje que marcou para 9 e 10 de Maio o XI congresso ordinário, no mesmo dia em que a comissão permanente do PAIGC informou que reunirá o Comité Central a 28 de março “com vista à convocação do XI Congresso Ordinário (…) e com a recomendação de fixar uma data, entre os finais de junho e princípios de julho de 2026.

Domingos Simões Pereira, que lidera o PAIGC há 12 anos, eleito três vezes, foi preso no golpe militar de 26 de novembro de 2025 e encontra-se em prisão domiciliária.

O golpe seguiu-se às eleições gerais e presidenciais de 23 de novembro, em que, pela primeira vez, o PAIGC foi afastado do processo eleitoral por decisão judicial, dois anos depois de ter sido também afastado do governo com a dissolução da maioria parlamentar da coligação PAI-Terra Ranka, liderada pelo partido.

Um grupo de militantes e dirigentes que se mantiveram no governo da iniciativa do ex-Presidente Umaro Sissoco Embaló tem contestado a liderança de Domingos Simões Pereira e pedido um congresso extraordinário para escolher um novo líder.

Alega que a atual liderança não tem condições para continuar a conduzir o partido e preparar as novas eleições gerais, presidenciais e legislativas, anunciadas pelos militares no poder para 06 de dezembro.

“Grupo de reflexão” agenda congresso para Maio
O chamado “grupo de reflexão” divulgou hoje uma nota à imprensa informando que, “tendo em conta os superiores interesses do partido, deliberou marcar o XI Congresso do PAIGC no dias 9 e 10 de Maio de 2026”.

Acrescenta que a mesma data “pode ser antecipada caso a evolução das circunstâncias política e organizacionais assim o imponham”.

O grupo argumenta que as decisões agora anunciadas “refletem o compromisso” destes elementos “com a estabilidade interna, o reforço da coesão e a preparação responsável dos próximos desafios”.

O anúncio do “grupo de reflexão” ocorreu no mesmo dia em que a Comissão Permanente do PAIGC deu conta, nas redes sociais, de uma reunião online, durante a qual, entre outros pontos, discutiu a realização do congresso. Na nota de contextualização da situação política do país e em que reitera “a exigência de libertação imediata e incondicional” do líder Domingos Simões Pereira, a Comissão Permanente informa que foi decidido “convocar a I reunião ordinária do Comité Central para o dia 28 de março”.

Esta reunião, acrescenta, tem em vista a “convocação do XI Congresso Ordinário, em conformidade com o artigo 31º dos Estatutos do PAIGC, e com a recomendação de fixar uma data, entre os finais de Junho e princípios de Julho de 2026”.

Nos últimos dois anos, os principais partidos da Guiné-Bissau tiveram ou duplos congressos ou congressos extraordinários que resultaram na divisão dos mesmos em duas alas, uma fiel às lideranças e outra ao antigo Presidente da República Umaro Sissoco Embaló.

DW ÁFRICA

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