Família Castro está a abandonar Cuba em direcção à Espanha

A imprensa espanhola adiantou nesta terça-feira, 13, que a zona nobre de Havana de Miramar, onde vivem os mais altos representantes do governo cubano, assim como a família de Fidel Castro — no poder entre 1959 e 2008 — deverá ser o próximo alvo das manifestações anti-governamentais que eclodiram no domingo passado contra aquilo a que chamam de ‘ditadura’ e a precária situação económica que a pandemia só veio agudizar.

A ex-nora de Fidel Castro, Idalmis Menéndez — que de membro da família passou a activista anti-regime —, disse, em entrevista ao jornal El Español, citada pelo Observador, que é provável que em Punto Cero (o complexo de mansões perto da Praia de Jaimanitas, que durante décadas foi uma espécie de quartel-general do ditador cubano e que entretanto foi repartido pelos seus cinco filhos com Dalia Soto del Valle (ao todo terá tido 8), “já lá não esteja um único dos Castro”.

Casada, entre 1994 e 2000 com Álex Castro, o filho que se converteu em fotógrafo oficial do ditador, Idalmis Menéndez explicou que não é de agora que a família prepara a fuga do país, sendo Espanha o destino mais provável e apetecível pela maior parte dos filhos — para além de terem passaporte espanhol, manterão também vários negócios no país.

“Eles têm ligações aqui em Espanha, especialmente empresariais. Fecham aqui negócios com pessoas com muito dinheiro. Com empresários de Barcelona, de Matadepera, de Girona. Mas não é só na Catalunha, sabemos que também têm negócios com pessoas da Galiza. São negócios privados, que em momento algum têm feito para o bem do povo cubano”, revelou a activista ao jornal espanhol, num intervalo da manifestação que na segunda-feira decorria à porta do Consulado de Cuba em Barcelona, onde vive desde 2001 e trabalha como psicóloga.

Idalmis Menéndez acredita que o ex-marido tenha deixado o país há pelo menos um mês, mantendo-se em silêncio nas redes sociais, uma atitude adoptado pelo mesmo sempre que se ausenta de Cuba, em negócios ou lazer.

“Sei que o meu ex-marido veio muitas vezes a Espanha, algumas delas recentemente. Não lhes custa nada. Para algumas viagens, utilizam aviões privados. Mas para virem para a Europa podem fazê-lo de forma incógnita. Usam passes diplomáticos, que os ajudam a ocultar-se”, acrescentou ainda.

Fazendo eco dos relatos que lhe chegam desde a ilha natal, Idalmis Menéndez confirmou também que os protestos estão a ser combatidos à força por parte do governo de Miguel Díaz-Canel, que acusa de ter activado os “Grupos de Resposta Rápida”, cujo modus operandi passa pela infiltração de agentes à paisana entre os manifestantes — “Chegam-nos verdadeiras barbaridades que alegadamente estão a cometer” —, e garante que as desigualdades são cada vez maiores entre os cubanos.

“Abriram lojas onde funcionários e altos cargos são os únicos que podem comprar. E que nem sequer usam a moeda que o resto dos cubanos usam”, detalha, para depois clamar por ajuda: “É preciso uma intervenção internacional urgente. Os médicos dizem-nos que estão a tratar ferimentos com gelo, porque nem anti-inflamatórios têm”.

Com o portal G1

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