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Exclusivo. JLo pode chegar à Sala Oval antes do dia 19 de Maio de 2023. Lobista aposta todas as ‘fichas’

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A companhia norte-americana de advogados e de lobby Square Patton Boggs (SPB) — escritório com o qual o governo angolano mantém um contrato, com o objectivo de melhorar a sua imagem no exterior — esteve, pouco menos de 15 dias antes da realização da ‘Cimeira de Líderes EUA-África 2022’, a desdobrar-se em ‘esforços diplomáticos’ junto da Casa Branca, em Washington D.C, a fim de o Presidente João Lourenço vir a ser recebido por Joe Biden num encontro bilateral, na Sala Oval.

Duas cartas, uma dirigida à Casa Branca e outra a um membro da Câmara dos Representantes dos EUA, entre os dias 30 de Novembro e 2 de Dezembro do corrente ano — às quais o !STO É NOTÍCIA teve acesso exclusivo —, ajudam a compreender os meandros dos desdobramentos e dos contactos que têm sido realizados por uma importante membro do Partido Democrata e pela Squire Patton Boggs junto da ‘Administração Biden’ e de outros sectores influentes da política americana, no distrito federal de Columbia, na capital.

Do Congresso dos Estados Unidos salta à vista um apoio de ‘peso’, incorporado por Karen Ruth Bass, política norte-americana, filiada ao Partido Democrata, e membro da Câmara dos Representantes (Câmara Baixa) desde 2011, representando o estado da Califórnia.

Foi Karen Bass — que, ao que tudo indica, vem acompanhando o ‘dossier Angola’ desde Setembro de 2021, aquando da visita efectuada pelo Presidente angolano a Washington D.C, nas vésperas da realização da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) — a fazer as ‘honras da casa’, ao endereçar uma ‘carta/recomendação’ ao Presidente norte-americano, a sugerir um encontro bilateral com João Lourenço, na Sala Oval.

“Escrevemos para expressar o nosso forte apoio à Casa Branca, no sentido de estender um convite ao Presidente de Angola, João Lourenço, para um encontro bilateral na Sala Oval. Temos, igualmente, o prazer de ver a concretizar-se a segunda ‘Cimeira de Líderes Estados Unidos-África’, pelo que acreditamos que uma reunião individual na Sala Oval com o chefe de Estado africano, que representa uma das maiores economias no continente, serviria para demonstrar ainda mais o vosso compromisso contínuo de melhorar as relações bilaterais com os países africanos”, recomenda a democrata Karen Bass, na carta a Joe Biden.

Karen Bass, membro do Congresso dos EUA

30.º aniversário das relações EUA-Angola

O expediente — enviado à Casa Branca com cópia para o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, e para a subsecretária de Estado para os Assuntos Africanos, Molly Phee — faz um relato descritivo dos ‘avanços’ já cristalizados pelo governo de João Lourenço, com vista ao melhoramento das relações bilaterais entre os dois Estados, assim como ‘rasgados elogios’ ao facto de o Presidente angolano ter ‘inaugurado’, em Setembro de 2021, uma ‘nova era’, quer no plano diplomático, quer no plano geo-estratégico em relação à política americana no continente africano.

“O Presidente de Angola seria um candidato especialmente adequado para um encontro, dado o esforço conjunto que ele fez para melhorar as relações com os Estados Unidos e os nossos aliados, assumindo um papel de liderança na política africana, ao transformar Angola num potencial parceiro energético crucial para a nossa nação”, salienta Karen Bass.

Na carta, a democrata não só recomenda a recepção de João Lourenço na Sala Oval, como sugere, igualmente, que a mesma ocorra num contexto ‘particularmente especial’ para os dois países, isto é, antes do 30.º aniversário das relações EUA-Angola, a assinalar a 19 de Maio de 2023. “Seria uma ocasião oportuna para a ocorrência de um encontro bilateral de chefes de Estado”, sugere.

Companhia de lobby desdobra-se no Congresso

Na mesma senda, a empresa de lobby Square Patton Boggs procurou desdobrar-se em contactos no distrito federal, tentando inclusive abrir novos caminhos junto da Câmara dos Representantes, como faz prova um outro expediente enviado, a 30 de Novembro do corrente ano, a Piero Tozzi, director da Equipa Republicana na Comissão de Direitos Humanos Tom Lantos.

Assina a carta pela companhia de lobby Caren B. Street, uma advogada experiente em Capitol Hill — a sede do governo dos EUA, onde se encontra o Capitólio — com quase 14 anos de experiência bipartidária, bicameral e de liderança.

Caren Street mudou-se para a Square Patton Boggs desde Maio de 2021, pouco tempo depois de actuar como chefe de gabinete e estrategista-chefe para as prioridades legislativas da democrata Karen Ruth Bass — a mesma que escreveu à Casa Branca a recomendar o encontro bilateral na Sala Oval entre Joe Biden e João Lourenço.

Advogada Caren Street, da Square Patton Boggs

“Estou a entrar em contacto a respeito de uma carta da Representante Bass, que lidera a iniciativa de uma proposta de encontro de chefes de Estado entre o Presidente Lourenço e o Presidente Biden, esperamos que no próximo ano, antes do 30.º aniversário das relações bilaterais EUA-Angola”, começa por explicar, Caren Street, o motivo do contacto com Piero Tozzi.

“Como é do seu conhecimento, o Presidente Lourenço deu o pontapé de saída nos EUA a um novo enlace, em Setembro [2021] passado, quando viajou para [Washington] D.C, antes da Assembleia Geral da ONU, para se encontrar com líderes do Congresso e funcionários da Administração [Biden]”, contextualiza a advogada.

Democratas e republicanos

O objectivo do contacto da empresa de lobby é, na verdade, Christopher ‘Chris’ Henry Smith, um político americano que cumpre o seu 21.º mandato como representante dos EUA para o 4.º distrito congressional de Nova Jersey, e co-presidente da Comissão dos Direitos Humanos, cobrindo os assuntos internacionais.

De acordo com o conteúdo do expediente, assinado pela advogada Caren Street, no quadro do lobby da Square Patton Boggs, enquanto representantes do governo angolano, é objectivo é o de ‘vincular’ à iniciativa da democrata Karen Bass o apoio do republicano Chris Smith.

“Poderia o Representante Smith endossar a carta da Representante Bass, na iniciativa de uma reunião de chefes de Estado [entre o Presidente Biden e o Presidente João Lourenç]?”, questiona Caren Street num dado momento da carta, deixando em aberto uma linha de contacto para responder a quaisquer perguntas de Piero Tozzi ou mesmo facilitar uma reunião com a embaixada angolana, em Washinton D.C.

O ‘capital’ de João Lourenço

A empresa de lobby ressalta que, desde a visita de João Lourenço ao Congresso americano, em Setembro de 2021, que tem havido um nível crescente de envolvimento entre os governos dos EUA e da República de Angola e cita encontros já realizados envolvendo altos membros dos dois governos, como o grande sinal de uma nova visão e de progresso nas relações entre os dois Estados.

A carta lembra, por exemplo, do encontro de Maio deste ano, mantido entre o secretário de Estado Adjunto Wendy Sherman e o Presidente João Lourenço, em Luanda; do diálogo mantido pelo secretário de Estado ‘Tony’ Blinken com o ministro angolano das Relações Exteriores, Téte António; e de um outro, mantido em Abril deste ano, entre o sub-secretário de Defesa para Política, Colin Kahl, e o ministro de Estado e Chefe da Casa Militar do Presidente da República, Francisco Pereira Furtado.

A carta também salienta o facto de, após as eleições de 24 de Agosto, uma delegação dos EUA ter comparecido na tomada de posse de João Lourenço, e o papel assumido por este na liderança das conversações que visam pôr termo à crise político-militar na região dos Grandes Lagos, sobretudo na República Democrática do Congo (RDC).

“Há um forte alinhamento de segurança nacional e interesses económicos entre os EUA e Angola, que esperamos conduza a um encontro entre os dois líderes”, escreve a advogada Caren Street.

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