Ex-governador da Huíla pede afastamento do Parlamento para defender-se das acusações de corrupção

O deputado e membro do Comité Central do MPLA, João Marcelino Tyipinge, solicitou, em Outubro último, ao líder do seu partido autorização para abandonar, em definitivo, a função de deputado à Assembleia Nacional, a fim de facilitar os serviços de investigação, no âmbito de um processo-crime no qual está acusado de ter desviado 200 milhões de kwanzas, que serviriam para a aquisição de laboratórios para escolas públicas, quando desempenhava o cargo de governador da província da Huíla.

A informação consta de uma carta — neste caso a segunda — datada de 22 de Outubro do corrente ano, enviada ao presidente do MPLA, João Lourenço, na qual o político do partido dos ‘Camaradas’ manifesta o desejo de se colocar à disposição da justiça angolana.

“O que pretendo com isso, é solicitar a minha interrupção definitiva da função de deputado, para cuidar da minha família, e como já informei ao camarada presidente na última carta… tinha sido constituído arguido num suposto desvio de fundos públicos do Estado e esse processo está em banho-maria”, justificou Marcelino Tyingipe, que afirma “nunca ter sido chamado para ser ouvido”, mesmo “depois de se ter feito muita propaganda” nos órgãos de comunicação social públicos e privados.

O político, que faz questão que o processo avance e chegue à fase de julgamento, afirma que não quer que a função de deputado sirva de escudo para não ser ouvido e julgado, se for o caso. “Eu não quero ser protegido e nem quero que seja considerado como aqueles que usaram os fundos do Estado para construírem riquezas”, declarou na carta.

Tyipinge, que diz sentir-se que nem uma fera ferida e porque quer a todo o custo lutar pelo seu bom nome e o da sua família, manifesta na carta o interesse de querer ser julgado, porém, para que tal aconteça, espera que João Lourenço autorize a sua saída do Parlamento.

Apesar de estar a solicitar o seu afastamento do Parlamento, Marcelino Tyipinge coloca-se à disposição do MPLA, principalmente à disposição das agendas ligadas às próximas eleições, pelo que só não ficaria disponível, se a direcção do partido na Huíla achar desnecessário a sua participação. “De resto, acho que a experiência que acumulámos pode de alguma forma ajudar o partido”, concluiu o político.

Em Outubro de 2018, a Procuradoria-Geral da República (PGR) na Huíla revelou estar em curso um processo-crime que indiciava o ex-governador João Marcelino Tyipinge. A revelação foi feita pelo subprocurador-geral da República Titular da Província da Huíla, Hernâni Beira Grande.

“Existe um processo em curso, mas está em segredo de justiça, uma vez que se encontra na fase de instrução preparatória”, disse na ocasião, acrescentando que “temos já alguns arguidos detidos, como o ex-delegado provincial das Finanças da Huíla e o ex-director provincial da Educação”.

Na reacção às declarações do membro do Ministério Público, Marcelino Tyipinge classificou o pronunciamento como “intenção deliberada” de prejudicar o seu bom nome.

“Nunca fui chamado para prestar declarações sobre o processo, mas vocês baseiam-se em documentos, digamos, falsos e publicam. Sem fundamento nenhum”, disse Marcelino Tyipinge em entrevista à Rádio Nacional de Angola.

João Marcelino Tyipinge foi exonerado do cargo de governador da Huíla, que exercia desde o ano 2012, a 12 de Setembro de 2018. Para o seu lugar, João Lourenço nomeou Luís Nunes, o actual governador da província de Benguela.

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