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EUA. Nancy Pelosi deixa liderança democrata no Congresso

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A líder do Partido Democrata na Câmara dos Representantes anunciou esta quinta-feira, 17, que vai deixar a liderança, depois das eleições intercalares terem ditado que os democratas vão perder o controlo da câmara baixa do Congresso para os republicanos.

Num discurso no pódio da Câmara dos Representantes, onde os colegas democratas e republicanos a aplaudiram de pé, Pelosi recordou o impacto de ver o edifício do Congresso pela primeira vez e mostrou-se grata por ter ocupado um dos cargos mais importantes da política norte-americana.

“Não vou procurar ser reeleita para a liderança democrata no próximo Congresso. Para mim, a hora chegou para que uma nova geração lidere os democratas que eu tanto respeito, e estou grata por tantos estarem prontos e disponíveis para acatar esta incrível responsabilidade”, afirmou Pelosi.

Pelosi foi uma das maiores figuras políticas dos últimos anos, apesar de ser também uma figura algo controversa. Se alguns democratas acusam-na de pertencer a uma elite sem percepção da realidade para além das paredes do Congresso (com alguns actos simbólicos feitos ‘para a fotografia’ a torcerem o nariz aos congressistas mais jovens), os republicanos criticam-na por ter feito frente a Donald Trump através de processos de exoneração, que acabaram por não ter tido consequências.

Foi líder da Câmara dos Representantes duas vezes ao longo de duas décadas. A primeira, entre 2007 e 2011 (antes de Obama cair nas eleições intercalares de 2012), e a segunda, entre 2019 até agora. Foi também líder da minoria democrata entre 2011 e 2019 e esteve na liderança do partido no Congresso desde 2003.

Ainda assim, Nancy Pelosi foi, até agora, a única mulher a ocupar o cargo de speaker, e o seu legado levou-a também a elogiar o passado da Câmara dos Representantes.

“Todos os que serviram esta casa fizeram o juramento e esse juramento mantêm-nos juntos  nesta longa herança de colegas que serviram antes de nós”, disse, referindo os grandes avanços legislativos, como a abolição da escravatura, a aprovação do direito de votos para as mulheres, entre outros.

Pelosi não deixou de fazer referências a incidentes mais extremistas dos últimos anos. Sobre o ataque ao Capitólio, a speaker lamentou as fragilidades da democracia norte-americana, que considerou “frágil”.

Apesar de abandonar a liderança dos democratas, Nancy Pelosi vai continuar na Câmara dos Representantes, como congressista pelo 11.º distrito da Califórnia (onde se situa a cidade de San Francisco).

A vitória dos republicanos foi confirmada na noite de quarta-feira, 16, quando os conservadores atingiram a fasquia dos 218 deputados necessários para assegurar uma maioria. No entanto, o líder do partido, Kevin McCarthy, já tinha declarado vitória na noite eleitoral a 8 de Novembro, apesar das incertezas em torno do resultado final.

McCarthy vai liderar uma Câmara dos Representantes onde os republicanos terão uma maioria muito curta. Ainda assim, prevê-se que vão dificultar muito os últimos dois anos do primeiro mandato de Joe Biden, já que as duas câmaras do Congresso têm de aprovar as medidas propostas pelo presidente do Partido Democrata.

Apesar de terem perdido o controlo da Câmara dos Representantes, algo que as sondagens já apontavam há vários meses, os democratas acabaram por ter umas eleições muito mais positivas do que o esperado.

Além de terem garantido o controlo do Senado, a câmara alta do Congresso, conseguiram derrotar a grande maioria dos candidatos apoiados por Donald Trump, não só nas corridas ao Congresso, mas também em cargos estatais, onde as teorias da conspiração sobre fraude eleitoral que defendiam podiam ter consequências mais directas.

*Hélio de Carvalho

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